9 de março de 2021
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alegria de puras alegrias, a lembrança
“Entendre la douceur et la tendresse de leur voix, et être rassuré sur leur existence. Voir les , comme em France, se fondre dans l’ extase, être rassurée sur l’existance de l’amour. Voir les hommes qui dansaient, chantaient, nageaiet, riaient, malgré la pauvreté, et être rassurée sur l’existance de l’a vie et de l’a joie. Voir et entendre la joie.” (p.40) Anaïs Nin Journal 5 (1947-1955)

Ver escutar sentir alegria. A pura alegria de viver. Anaïs escreve sobre isso, et cita George Bernanos: La joie (A alegria). Estranho sentimento de pertencimento. Outra vez dispersa, ansiosa ou angustiada, talvez feliz. Encontro o cartão de Maria Virgínia Busnello. Lembro da correspondência, do casaco de vison que ela me emprestou, generosidade. Um cadeau maravilhoso, viajava rigor do inverno. Céus! Incrível eu ter vestido, e foi incrível mesmo! Apenas vestir o casaco transformou a viagem, no ar a certeza da preciosidade. Graças a ela (minha amiga) e a ele (o casaco) vivi vida de princesa e não passei frio. Nunca agradeci o suficiente. Não sou ingrata, mas atrapalhada, minha amiga. E não te mostrei as fotos, inúmeras! E a história do gorro que ficou/caiu nas escadas…, foi resgatado, e chegou depois da minha volta. Para tua ansiedade, e a minha, demorei dias para devolver. Também o precioso chapéu que Maria Virgínia me emprestou de feltro com abas, um luxo! Esqueci em Chambord, displicente /distraída. Céus! Estas lembranças chegaram todas ao mesmo tempo: alegria, Anaïs Nin, Maria Virgínia (amiga de coração e de sempre), e o cartão. Sim de todas tuas inúmeras viagens tu escreveste! Tenho cartas e cartões. Sempre presente. Éramos tão próximas! Guardei tudo / todas as tuas lembranças, amiga. Estares em Paris e lembrares de mim…, escrever. Desculpa os desencontros, as minhas esquisitices. Beth Mattos – março de 2021 – Torres




A Ceia dos Cardeais – Júlio Dantas
As repetições assustam, não as do amor, do mundo mesmo: olhos abertos, il faut.

“Cardeal Rufo
Sobre um beijo outro beijo e sobre um ano outro ano…
Como envelhece a gente velho Vaticano!
A política…
O mal que se faz e desfaz
No mistério subtil destes panos de Arrás…
A intriga na sombra, os passos sempre incertos…” (p.22)
Cardeal Gonzaga
Sol! Nós somos a saudade.
A pensar que se amou, que se viveu…O amor!
– Um tronco envelhecido a cuidar que deu flor!
depois num embevecimento
Misterioso monte é neste mundo a vida!
Todo rosas abrindo, ao galgar na subida,
E a velhice, ao descer, toda cheia de espinhos…
– Ai, tão velhinhos!” (p.24)


Júlio Dantas A Ceia dos Cardeais – peça em um acto, em verso, representada pela primeira vez no antigo Teatro de D. Amélia. em 24 de Março de 1902
as mesmas coisas
Além das mesmas coisas, outras mesmas coisas… café com pão feito em casa. O sol deste sol continua verão. Verão, tua estação. Eu gosto do inverno, o inverno do passado: lareira, cheiro de nó de pinho, grama e laranja descascadas pelo pai, e ter a mãe bebendo café, fumando, ou lendo, olhando as revistas, sonhando a casa, e sempre música. Casa com música e conversa. Eu viajando no sonho…
Tão bom sentir as coisas pelo teu olhar, teu jeito! Tens o que nunca consegui ter, e assim mesmo, tendo dentro de mim. Ao acaso, és como és…teus sonhos, tão outros! A vida te “agarrou”, e conseguiste/tens este gosto novo. Morro de ciúmes! E saber que poderia ter provado mais, engolido, mastigado… Tão, tão covarde! Sabes o que é hoje? Esquecer tudo que foi ontem! Tudo. O nascente derruba outros amores, não adiante! É verdade. Assim acontece a loucura e o desatino! Um dia, dobrou a esquina e não voltou… Danada pandemia a nos segurar, vês! Ajuizados. O vírus é a sanidade. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2021
désirs insensés / desejos insensatos
“[…] parmi les choses indispensables à la race des hommes, figurent quelquer désirs insensés, Il n’y aurait pas d’ hommes sans l’amour. E d’où penses-tu que nous ayons tiré la première idée et l ‘ énergie de ces immenses efforts qui sont élevé des villes très illustres et de monuments inutiles, que la raison admire qui eût été incapable de le concervoir?” (p.26) Paul Valéry Eupalinos ou O Arquiteto
[…] entre as coisas indispensáveis à raça humanam, figuram, necessariamente, alguns desejos insensatos, não existem homens sem o amor. E o desejo nos guia / leva. E será sempre para o melhor caminho do prazer e da alegria necessária, suportamos o mal / a maldade por amor, e curamos a florir o caminho. Beth Mattos
escuto
delicadeza
A intimidade exige delicadeza: lapidação da voz, do cuidado ao dizer, não exatamente por/para ser educado, civilizado, mas porque estes são os sentimentos que precisam/deveriam permear as relações. Pessoas simples/rudes/ ou pouco instruídas devem conviver com pessoas simples/rudes, menos instruídas ninguém se machuca. Como a pouca inteligência dá as mãos aos menos inteligentes. Pessoas emocionais sofrem ao conviver com pragmáticos. Teia de sentimentos complicados. O sentimento nebuloso dificulta o amor. Estou sendo pouco clara… Não se trata de nomenclatura. E amor não se parte/não se divide… Esquisito pensar assim…, ou ama ou não ama, suponho que possa ser simplesmente uma operação matemática. Compreender o outro, não concordar com isso ou aquilo, tudo bem, grosseria nunca. E de repente não se alcança o amado porque estas coisas (palavras/atitudes) estão confusas. O filho pode não entender, o neto compreender, o sobrinho ficar em dúvida. Entre irmãos? O amor se divide, talvez, siga amor, mas machucado/ferido. Beth Mattos
E no amor, entre amados, quando a intimidade cresce em excesso, desgovernada, alguma coisa se parte (invisível, não muito definida). Nesta entrega completa dizemos tudo sem medo/sem freio/ sem filtro. Dizemos o que pensamos/sentimos, e de repente, já não é mais verdade, não é exatamente aquilo. Pedir desculpas / pedir perdão. Voltar atrás é possível, reconhecer o erro, mas fica a magoa. E ás vezes nem é mais verdade / nem foi bem daquele jeito… Um texto a ser pensado. E. M.B. Mattos
confusão / confusion
” Quand je fus revenu auprès de Maya, nous dînâmes et retournâmes au lit – simplement pour nous sentir tout près l´un d´autre et pour parler. Bien sûr, je lui déclarai que je l’ aimais – je l ‘aimais en effet, et je l’aime toujours -, et je lui demandais si elle m’ aimait.
‘Oui, repondit-elle sérieusement. Mais tu apprendras que l’amour dure rarement, et qu’il est possible d’aimer plus de une personne à la fois.’
‘Vous voulez dire que vous avez quelqu’ un d’ autre?’ lui demandai-je, effrayé.
‘Et bien, mon mari’ me réponddit-elle, en ouvrant un peu plus grands les yeux. mais il ne faut pas que ça t’inquiète.Cette idée qu’on ne peut pas aimer qu’une seule personne fait que la plupart des gens vivent dans la confusion‘”(p.79) Stephen Vizinczey Éloge des femmes mûres
Complicado questionar amor: fidelidade e limites… Uauuuu!, espero que me escrevas breve. Verdade, estou ansiosa outra vez, a tal gentileza…
Não é a melhor tradução. Enfim!
“Quando voltei, Maya e eu, jantamos, fomos deitar -, simplesmente, para ficarmos perto / bem perto um do outro, e conversar/falar. Claro, eu confessei logo meu amor – eu a amava mesmo, e ainda a amo (continuo amando) – e eu lhe perguntei se ela me amava. ‘Sim, respondeu com seriedade. Mas tu aprenderás que o amor dura pouco (é raro/ difícil que dure muito), e vais descobrir que é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo.’ Assustado: ‘Queres me dizer que tu tens mais alguém / outra pessoa?’ ‘Sim, claro, meu marido’ respondeu ela, arregalando os olhos, mas não precisas te inquietar com isso, essa ideia de que as pessoas só podem amar uma única pessoa faz com que a maioria viva em confusão” Stephen Vizinczey Em louvor às mulheres maduras
por quê?
Eu me apaixonei por ti por tantos motivos, e nenhum, e alguns, eu vou te dizer… Eu me apaixonei e te amei porque… Dizem que a paixão, o desejo está a se inquietar dentro da pessoa, quer saltar, escapar (porque enjaulado) e então, num descuido! Salta para fora. E outro está ali distraído, ou a esperar, ou desavisado como tu, (estou pensando como poderia ser) ou… Agora, me ocorre: sendo atrapalhada!, não explico. A liberdade me confunde. Não conto para ninguém que existes, não digo teu nome, fica tudo assim inventado, mas estou a te esperar. Sabes o que descubro a cada conversa que temos? Tu me descreves o mundo, tu me acordas. Tu estás onde eu gostaria de estar, e tu me contas o que está acontecendo do outro lado… E dizes a verdade. Cada vez que leio uma carta fico a reler a reler a reler sem poder responder. Um beijo. Eu me explico do jeito que sei. Um outro beijo. E me preocupo por não ser o que era, mas tu já sabes como sou. Beth Mattos – março de 2021
“As lembranças da felicidade passada são as rugas da alma!”
Escrever pode ser exaustivo: tudo já foi dito e escrito. Qualquer sentimento, qualquer beleza, dor, saudade (como a que sinto no teu silêncio), foi expressa / explicada. Não adiante se desviar. Escrever deveria / deve ser mapear leituras. Beth Mattos
” As lembranças da felicidade passada são as rugas da alma! Quando se é infeliz, é necessário expulsá – las do pensamento como fantasmas zombeteiros que vêm insultar a nossa situação atual: vale mil vezes mais abandonar – nos às ilusões enganosas da esperança, e sobretudo fazer boa cara à má fortuna, evitando introduzir alguém na intimidade de nossas desgraças. […] à força de ser infeliz, a gente acaba por se tornar ridículo. Em tais momentos horríveis, nada é mais conveniente do que o novo modo de viajar, cuja descrição se acabou de ler. […]Fiz, então, uma experiência decisiva: não só consegui esquecer o passado, mas até tomar valorosamente o meu partido sobre as penas presentes. O tempo as levará, disse eu para me consolar; ele carrega tudo e nada esquece, ao passar; e, quer queiramos detê – lo, quer o afastemos, como se diz, com o ombro, os nossos esforços são inúteis e nada mudam ao seu curso invariável.[…] Quando os homens se calam, quando o demônio do ruído está mudo no meio do seu templo, no meio de uma cidade adormecida, é então que o tempo eleva a sua voz, e se faz ouvir à minha alma.” (p. 269) Xavier de Maistre Viagem ao Redor do Meu quarto
Há sempre um novo jeito de lutar. Esperar. Acreditar um na palavra do outro. Derramar sentimento, o verdadeiro, e o inventado, mesmo a fantasia pode ser o melhor para viver agora. escuta. Eu não consigo te esquecer.





