alma cansa mais

O corpo resmunga geme inquieto, e se espreguiça para o cochilo. Seguiria polindo se apenas ele (o corpo) reclamasse, … mas alguém mais reclama boceja cochila e se estica, – a alma. Deixo a alma descansar. Depois da chuva a alma voltou para o corpo satisfeita:orgia de amorosa loucura!

Sem noivo, sem casamento,  vou para o Rio de Janeiro. Os cadetes galonados dançam com as moças-debutantes. Paulo Roberto Pegas deveria ter sido meu par, mas dançou foi com a Suzana. Majestoso acontecimento no Palácio das Laranjeiras. Meus quinze anos eram insuficientes, os vinte anos da irmã, melhor. Não fui, … aquela valsa não dancei, … somos feitos de coisas pequenas que não fizemos. Fiquei bonita em Porto Alegre, azul profundo com o Lalo. E baile no Juvenil.

…, histórias! O hoje, o momento certo, é agora. Tu repetes que tu me gostas, …  e eu te digo que me apaixonei, e  somos nós. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2018 – Torres

 

 

proposta de casamento

Alguém deseja, alguém precisa / necessita de um alguém como ar . Questão imperiosa importante. Ou produz o movimento  de ser/estar vivo, ainda… Histórias que são estórias, mas ninguém se atreve a entrar e contar como elas são, afinal, sombrias.

– Falo de uma compreensão na qual a amizade e o conhecimento mútuo podem assumir o lugar do amor até que ele surja, e espero que surja. É claro que dormirei com você, serei um amante, e você uma amiga. Quem sabe? talvez demore um ano. Afinal de contas, todos os casamentos alexandrinos são empreendimentos comerciais de risco. Meu Deus, Justine, como você é tola. Não vê que talvez precisemos um do outro sem perceber? Vale a pena tentar. Obstáculos podem surgir de todos os lugares. Mas não consigo deixar de pensar que a mulher de quem mais preciso em toda a cidade é você. Um homem pode desejar várias mulheres, mas desejar e precisar são coisas diferentes. Posso desejar outras … Mas preciso de você!” (p.49) Lawrence Durrell Balthazar O Quarteto de Alexandria

Lembro porque não esqueço, claro. Não esqueci aquele Luís A. Antunes: desfez o compromisso, tirou a aliança do dedo, desfez o noivado (sem explicar) chorando.  Alguns fatos da vida real são como parágrafos de novela, inexplicáveis. Na vida imaginária de relações afetivas ordinárias estes parágrafos podem ser subtraídos. Ao lembrar escrever sobre isso surpreendo a surpresa: nunca deixei de esperar. ah! aquela noiva ainda existe embora já tenha se passado setenta anos. Ela ficou esperando até amanhecer… O tempo passa escorrega escapa entre os dedo: no gesto, –  a força. Bravatas e conquistas. O relâmpago da alma adentrando o corpo: esperança reconhecida, história inacabada. A ser contada. Claro que houve um beijo. A verdade esbraveja, não resolve. O livro toma forma. Elizabeth M.B. Mattos –  janeiro de 2018 – Torre

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FOTO MUITO LINDA que Luiza tirou

O tempo passa, escorrega, escapa entre os dedo: no gesto, – força. Bravatas conquistas. O relâmpago da alma adentrando o corpo …, esperança reconhecida, história inacabada. A ser contada. Claro que houve um beijo … A verdade esbraveja, não resolve … o livro toma forma. Elizabeth M.B. Mattos –  janeiro de 2018 – Torres

penitência

…, homem não se vê ser humano. Bebo cerveja gelada. Um copo de vinho, ou risada fora do lugar, ou me deixo levar.

Espanto sem solução: extrema pobreza. Extrema indignação. Pouco trabalho. Eu me pergunto o que é exatamente usar braços e pernas, ou inteligência? O que as pessoas consideram trabalhar/produzir?

Difícil acompanhar  notícias do/no mundo, particularmente, Brasil. Não entendo, nem polemizo. A natureza ajuda a ceifar com vento chuva tempestade e guerra.  Este ódio comportamental começa na infância, tem conserto?! Vou ser eu mesma. Qual o rumo? Onde a responsabilidade?

Céus! Céus! Falta dinheiro! Falta gente séria neste país. Falta vontade de querer: ninguém quer nada, ninguém acha nada. Eu também não quero. E. M.B.Mattos –  janeiro de 2018

terror

O terror do homem deve ser apenas ser homem. Estou envolvida, embrulhada no que me foi transmitido como correto,  –  enfiada na vida do outro dentro do outro, pelo outro. Posso estar, inclusive, na imaginação do outro.  A pessoa que não sou. Não me reconheço neste afã de agradar/participar. É difícil desbravar o território interior/íntimo.Solitário. Resta a sensação esvaziada fantasiada de intenso.

Chove a chuva que Torres esperava. Sem força. Chegou mansa aos pingos , e não vai lavar nem limpar o pecado da invasão. Lixo acampado nas calçadas. Carros abarrotados. Descaso. O enfado se atirou na areia da praia. Sem respeito, nem harmonia. Lágrima chega com a chuva. Desespero miúdo a perguntar por quê? Aquela ideia pequena quando digo: sou quem sou? Por que me faltou coragem energia para ser diferente? Eu me deixei ficar… Elizabeth M.B. Mattos – janeiro 2018

Lembro-me de acordar depois com a boca amarga e o coração cheio de angústia. Acho que nessa época era uma premonição. Agora é talvez uma confirmação. Seja como for, não me aflige. (p.31) José Eduardo Agualusa  O vendedor de passados

CAetés CAETÉS

Foto: Luiza M.Domingues

imaginação faminta

…, pé ante pé, devagar, atenta. Subo os degraus. Não quero te acordar. A casa dorme. A memória descansa. A saudade adoece: eu ainda te sinto! Saudade de ti se acalma porque te escrevo. Amanhece devagar neste dia primeiro de dois mil e dezoito. Ano par que me devolve meus dezoito anos. Esperei devagar, espiando. Gosto desta piação. A passarinhada amanhece antes de mim. Estou viva, escandalosamente viva! Elizabeth M.B.Mattos  janeiro de 2018

– É você, Henry? – perguntou em voz alta. Não ouviu resposta, mas a casa reverberou outra vez.

– Henry, você entrou?

Mas era o coração da casa batendo, de leve no início, depois mais alta, marcialmente. E abafou a chuva. A imaginação faminta é a que tem medo, não a bem alimentada. Abriu a porta que dava para a escada.” (p. 214) E.M. Forster  Howards End

ficando você

Reli e gostei. Amar o amor se reformula: agarra a saudade, agarra o belo. O choro, o feio e o barro. Molde novo. E a pessoa, aos poucos, renova. Olhar se firma, outra vez reforço. Brinco de pensar no que já foi, e logo eu me encanto: hoje estou viva! Ventilo o armário, abro as gavetas, deixo o perfume entrar e volto aos projetos novos (risos): apontar os lápis, revisar os cadernos, alinhar os papéis, cortejar as fotos. As caixas? Retirar as fitinhas, os recortes de menina, e as tampinhas de refrigerante…, as pedrinhas.  As cadeiras valsam, novos lados, almofadas novas… E acordar às 4 horas da manhã multiplica o dia. Beth Mattos – 15 de julho de 2021 – Torres na madrugada agradável num inverno que também faz feriado de gelado e a noite fica doce. Acho que estou esquecendo de ser eu e ficando você. Beleza envelhece escapa, sai andando: Justo quando mais se precisa dela… Elizabeth M. B. Mattos – Torres 2017

VESTIDO

SORRRINDOOOOOO

citação

“Mil conversas, buscando umas às  outras como raízes de árvores buscando umidade – vidas com sentidos ocultos disfarçados por sorrisos brilhantes, mãos cobrindo os olhos, malicia, febres satisfações.”  L. Durrell – Balthazar

no teu bolso

Não mudamos! Assustador!  …,vidas repetidas? As mesmas noutra narrativa, noutra dimensão? Estou apaixonada. Ontem também estava, de certo amanhã também estarei, apaixonada. Estarei encolhida no teu abraço, apaixonada. Eu te amo no amor que sentes por mim, ou que eu penso/imagino que sentes. Espera por mim. Vou te buscar. Vou te buscar/procurar em todos os livros, pelas estantes, pelos cantos. Depois na praia por todas as praias. Estarei entre as pessoas, sempre a te procurar. Eu te encontro aninhado no mesmo sonho. Estás sentado com aquele olhar perdido no mar…, sempre a pensar/querer! Deste, eu gosto, teu sonho azul, também daquele das nuvens: ora peixe, ora urso, ora pássaro. No teu bosque…, ou na tua floresta.  Na tua vida hoje. Depois caminhas num passeio demorado: volta completa na Lagoa do Violão, eu te vi. Espiei pela fresta. As frestas…! …, e, fui ao teu encontro. E depois do abraço da saudade, demorado, quase aflito nós nos demos as mãos, e seguimos caminhando. Estamos sempre juntos. Quando faço mágica vou parar no teu bolso. XYJMWCLK Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2021 – Torres

…, perdida/perdido pelas ruas, no teu bolso.

folhassssssssssssssssslindas vivas

…tanto desastre, tanta loucura e tanto amor!  Estou pensando em ti. Beth Mattos / Elizabeth M. B. Mattos

bolso

Quando faço mágica vou parar no teu bolso.

fragmento da história

Às avessas, primeiro a alma, primeiro por dentro, primeiro o pensamento, a idéia de ser alguém e depois o vulto que se confunde na imaginação e custa a entrar um dentro do outro. A foto, duas, três, quatro fotos e ainda não é ele. Pois ele tem cheiro, tem boca, tem braços, tem corpo, tem olhos bem pretos, cabelo escuro, pele escura, corpo pequeno. Doce, tranquilo, de paz. Observa quando olha. Óculos grandes, os de sempre: todas as fotos, os mesmos. Quero vê-los pequenos, redondos, menores. Unhas retas, longas.  A boca se abre sorrindo, entregue. Observo. Gestos lentos, momento novo, nervoso: “…é quando não se espera mais nada para si mesmo, que se pode amar.”Amiel

Atravessamos a geografia. Estamos um diante do outro. As fotografias enviadas plasmavam uma imagem nas cartas que iam e vinham…Mais rápido do que cartas seladas o computador. O virtual. As fotografias imagem com cheiro, voz. Agora, um diante do outro. Não é alto, nem tem ombros grandes. As palavras espremidas para sair. Quero dizer logo tudo o que penso: o som nos atravessa sem pontuação. Afago à pele lisa, a mão. Estamos no Porto dos Casais. Atropelo tudo na música, não palavras, não lógica. O abraço é fundo, grande, demorado. Demorado o encontro do meu corpo no corpo dele. Sem palavras. Apertado abraço de encontro, de pele. O cheiro. Ficar quieto na curva do corpo do outro. As mãos também apertadas, quietas. O suor do calor parado. A história se escreve sem vontade de largar. Parar o tempo. Apenas, parar o tempo. O espaço escolhe outro espaço, pensa forma; cresce desejo, alimenta sonho este espaço que se abre no abraço trancado de nós dois. Somos muitos. Ele é a pele das palavras:

-Venceram, as cartas. As vozes telefônicas atropelam-se, estranham, choramingam e nem sempre se entendem ou comunicam… Hora errada, tempo curto, ânimo perdido, voz lenta, linhas cruzadas… Enfim!

– Somos dois malucos exercitando, alegremente, as melhores fantasias. Somos muito bons nisso. Em que mais seremos bons? Na possibilidade de nos sustentarmos nos olhos? Na coragem de cometer a loucura? A família, o trabalho, a vida cotidiana nada mais é que nossa loucura controlada. Estamos à beira do abismo. Imagino o salto para o abismo. Elizabeth M.B. Mattos  – 1999 – Porto Alegre

“Era uma vez, na metade dos anos 60, um homem obstinado em permanecer normal. Por normal ele entendia casado. Marido de uma única vez e de uma vez por todas. Por normal entendia em primeiro lugar: uma vida contrária a de seus ancestrais, cujos amores tinham sido tumultuados, diversos e insuportavelmente doloridos.

Para levar a bom termo esse grande projeto de normalidade, havia cercado seu próprio casamento das mais vigilantes proteções.

Rompera os laços com o pai, por receio de contágio.

Não lia mais romances e via poucos filmes.

 Com a mesma preocupação de evitar riscos, passava sempre ao largo dos lugares que convidam à partida: livrarias dedicadas a assuntos marítimos, antiquários especializados em exotismos, agências de viagens, lojas de lingerie. Em sua casa nenhum mapa de geografia distraía as paredes.

Mas seu aliado principal, sua fábrica cotidiana de felicidade calma e sedentária, era o ofício que escolhera: […] “[3]

2016-04-17 08.41.35

MESA E RASCUNHOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSs

[3] Orsenna, Erik in Longamente.Ed. Companhia das Letras

cada um e nós dois

por cada pessoa se desenvolve um espaço único, intimidade não se explica

o estranho,  o inexplicável é não definir nem delimitar qual espaço pertence a quem

se penso tanto …, o certo, é porque não amei o amor em estado de pertencimento

não dizemos, somos …

somos … não sei explicar, somos … acho que é isso

nada definitivo porque a estrada continua … o rio, o mar

e, seguimos como somos para reencontrar o sonho

de repente a raiva, vontade de dizer o contrário, contrariar, beliscar

por que gostar/ querer/ amar/ ou sei lá como se explicar?

porque a ausência é doida / doída.

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ElizaBETH M.B. Mattos – dezembro 2017 voando

FOTOS DAS FOTOS Jean Jacques

Preciso seguir o que dizes a me olhar severo possuído e tomado pelo prazer deste reencontro: “vê onde escondeste a tua vaidade, fulgor, brilho e intensidade de fazer o tempo andar para traz”.

Meu querido amado: Nada disso importa se não estás aqui. Se não posso te falar. Se não não posso explicar. Tudo faria por ti, por nós, mas por ti e para ter de volta o olhar. E para ser tocada. Despida lentamente  por estes 50 anos que nos esperam. Vês, ainda penso no tempo que temos para nós, não olho para trás. Apenas nos imagino amanhã, agora. Vou te abraçar e me deixar abraçar na languidez da manhã aberta, sem hora, devagar, vou te amar. Beth Mattos – junho de 2018 – Torres

desenho de maio na lagoa com a Magda