O cão Chimarrão

Torres. Muito sol. Temperatura agradável. Ontem Ônix chegou, curada. Hoje o Chima segue para a Colônia com o Tainor. Pobre Chima! Ou feliz! Quem sabe encontra um lugar seu! Neste ir a vida dele fica solta, e os afetos se perdem naquele olhar amendoado. O cão amarelo. Eu me sinto culpada por ele, por mim. Por não conseguir guardá-lo. Não consegui mantê-lo comigo, e poderia. Como posso deixar que o levem! É minha indecisão que o abandona. Se eu já tivesse as raízes fincadas em Torres, eu o guardaria. Mas em Porto Alegre, complicado. Gosto de seu temperamento independente, gaudério. Gosto da forma como ele olha. Vejo a melancolia, e vivacidade no olhar dele. O medo, e a patética resignação?! Prevejo o sono, e algumas alegrias. Oxalá goste dos outros cães que estão por lá. Fico entre o alívio por saber que será cuidado, e o medo que fuja…Elizabeth M.B. Mattos – tempos incertos. 2012

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É longe a Colônia São Pedro! Vou tentar me acalmar! Já não importa mais: tomei a decisão! Ontem eu deveria ter ido buscá-lo. E assim… Os sentimentos doloridos são socados para o fundo, para um canto qualquer, desaparecerão. Esquecerei?

Cito passagem que Canetti descreve a mãe: “Você é como o terneiro; finalmente ele acaba se entregando!’ Ela não escolhia os meios. Isto era reforçado pela convicção de que os sentimentos humanos só devem valer para os homens; se os estendêssemos a todos os seres vivos, perderiam sua força e se tornariam vagos e ineficazes. (p.299 – A língua Absolvida – Elias Canetti).

Eu me entreguei. Todos os possíveis arroubos que possa sentir pelo cão se desfazem na minha imobilidade. Ele está indo embora, o nosso Dalite Dog! Cheio de histórias! Ainda nosso?

Nota: Chima morreu este ano (2017), apareceu morto no campo. Envenenado. Culpa. Sempre a culpa espiando.  Elizabeth M.B. Mattos – Torres – 2012

Foto: ricardo moure

Fita verde no cabelo: nova velha estória

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: – Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê,e das horas, que a gente não vê que não são. E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejadamente.Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque toque, bateu:- Quem é? – Sou eu… – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou. Vai, a avó, difícil, disse: – Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe. Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou. A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo. Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou: – Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes! – É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta… – a avó murmurou. – Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados! – É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou. – Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido? – É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu. Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: – Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

ROSA, João Guimarães. Ave, palavra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p.81.

Lygia Clark

Sublinho Lygia Clark. Não se pode minimizar a importância do exercício do Eu no mundo.  É preciso entender  a vida de dentro para fora. Apenas escrever o mundo, e reverenciá-lo seria como estar debruçado na janela. O difícil é cavar este poço interno. Expor este eu aos outros, um motor para o agora.  Quem puder ver o trabalho de LYGIA CLARK em São Paulo na Casa da Imagem (r.Roberto Simonsen, 136 N,S.Paulo) até 25/de novembro pode reavaliar. Retomo suas palavras, na mesma carta, página 86: “ Você vê, a participação é cada vez maior. Não existe mais o objeto para expressar qualquer conceito, mas sim para o espectador atingir cada vez mais profundamente o seu próprio eu. Ele, homem, agora é o ‘bicho’ e o diálogo agora é com ele mesmo, na medida da magia que ele pode emprestar de dentro dele mesmo.”

Toda esta exposição interior do artista, este esforço para pensar o eu, explicitar, e se abrir para o essencial. Escrever, pintar, dançar, fazer música, esforço descomunal! O artista segue nesta luta solitária. Escreve Lygia Clark:  “ Perco cada mais a minha personalidade aparente, e entro no coletivo buscando um diálogo e me realizando ainda através do espectador.”

Escrever, e ler tem o mesmo diálogo. A pintura, a dança, toda expressão pressupõe troca…

Quanto a ideia da participação, como sempre existiu, existem artistas fracos que não podem realmente se expressar com pensamento e portanto ilustram o problema. Para mim existe sim e é o mais importante. É exatamente essa ‘relação nela mesma’, como você diz, que a faz viva e importante. No meu trabalho, por exemplo, desde 60 é o meu problema e, se formos mais longe ainda, em 55 realizei a maquete da casa: Construa você mesmo seu espaço a viver. Mas não é a participação pela participação e não é dizer como o grupo do Le Parc que arte é um problema de burguesia. Seria simples demais e linear. Nada profundo tem essa simplicidade e nada verdadeiro é linear. O que eles negam é o importante: é o pensamento. Acho que agora somos os propositores e, através da proposição, deve existir um pensamento, e quando o expectador expressa essa proposição ela na realidade está juntando a característica de uma obra de arte de todos os tempos: pensamento e expressão E para mim tudo está ligado. Desde a opção, o ato, a imanência como meio de comunicação, a falta de qualquer mito exterior ao homem que o satisfaça e ainda, na minha fantasia, se ligando com o anti-universo onde as coisas estariam lá porque está acontecendo agora. Seria talvez pela primeira vez a consciência do próprio absoluto no agora. Outra coisa que muito me impressiona é a juventude que também como nós quer se dar sentido de dentro para fora em vez de ser como sempre foi, de fora para dentro. A verdadeira participação é aberta e nunca poderemos saber o que damos ao espectador-autor. É exatamente por isso que falo num poço onde um som seria tirado de dentro, não por você-poço, mas pelo outro na medida em que ele atira sua própria pedra…(p. 83-84): Hélio Oiticica  CARTAS 1964-74 , organização Luciano Figueiredo.

Fora do CORPO

Insônia. Mais do que falta de sono, falta de energia, falta de sentido. O amor neste tom confidencial que empresto à vida. Fico a contar a falta, o desejo. Faço projetos que parecem tão próximos do possível. Com o passar dos anos o sentimento de reconhecimento desaparece. Sou estrangeira de um mundo esquisito, o meu. De repente, isolada! Uma voz sem continuidade. Queixas cheiros indesejáveis, o movimento de ir e vir das pessoas, inúteis! O corpo dói: costas pernas pés. As mão, até os dedos doem. Qualquer movimento, pedalar, andar, dançar, nadar, experimentar parece sem sentido. A pessoa que importa não está mais aqui, não existe.  Sinto medo. Sentimento da insônia, ou a própria e seca insônia no comando? Sem fome, sem sede, mas desperta, ataca. Nada que não possa se resolver com um comprimido. Nada que possa desaparecer. Amanhã de manhã estarei igual. Desânimo! Enquanto escrevo escuto as vozes dos vizinhos praianos. O mar murmura.  Carros buzinam, não importa que seja noite e tão tarde. Cães ladram assustados.  Paradoxalmente o isolamento se impõe. É preciso permanecer na caverna: esconderijo certo.

Tenho aquela ideia de que todos estão perfeitamente perfeitos nos lugares onde estão: alimentados, sem sono, aquecidos, sorrindo. Não queremos ser necessários, queremos ser transparentes, mas no fundo, lá dentro a questão é mais séria: gostaria de poder me enxergar no centro, mas não sou o eixo, sou o galho que começa a vergar porque não consigo seguir o fluxo. Perde-se o hábito de querer o amor. Desistimos de desistir para desviar, terminar para encontrar, recomeçar, a solidão chega como o fim do papel, com a ponta do lápis quebrada, o livro com ponto final, o copo vazio. A solidão pesa com o próprio peso do corpo. Fica tudo invertido. Nem um cálice de vinho, depois outro, pode resolver. Nem o banho de mar, nem o sol. Nem ressuscitar o amigo, a coragem, nada modifica este estranho vazio. E estranheza vem do tempo que  perdi a casa, o centro, a segurança; quando resolvi deixar para traz a vontade de alguma coisa, apenas seguir… Do tempo de casar porque era preciso casar. Vem do tempo de largar o casamento. Aquele vazio do fracasso afetivo. Do amor sem amor. Vem do tempo que me deixei ficar no Rio de Janeiro. Do tempo de voltar para o Rio Grande do Sul. Vem do tempo de apagar incêndios. Vem do tempo de sucumbir aos tropeços, e se deixar levar… Enfrentar o trabalho. Largar os livros, e estudar. Deixar de estudar. Esquecer a menina. Largar o trabalho, a escola. Vem do tempo que me apaixonei por um amontoado de palavras, pelo virtual. E depois entender que nos apaixonamos por um personagem, não por um homem. Ou se chegamos a amar um homem, ele se transforma subitamente em personagem.  Ou num desconhecido. Um estranho que mora na mesma casa que moramos. Depositei tanto sentimento, tanta força, tanta energia num sentimento que desapareceu como desaparece um saco de areia na beira do mar. Claro que existem os filhos, os irmãos, o amigo, o amante, o desconhecido que atravessou a rua, os cães, as crianças, os netos, os tios, os primos, os conhecidos, os sorrisos, as perguntas, os sobrinhos. Mas na insônia ninguém existe. Existe a sombra da angústia de uma noite interminável e solitária. Bom! A pensar, mas é apenas ela, uma noite insone, depois o dia fica cheio de janelas. Elizabeth M.B. Mattos – Porto Alegre – 2012

Arandela

A chuva começou na madrugada. Acordei pra escutar o frescor da noite. Não gosto de quebrar sentimento, depois não sei consertar. A chuva foi forte, grossa, agitada, mas logo terminou. O abraço se desmancha sozinho. Medo de estar presa, estou sem força para abrir o alçapão. Tudo pode ser diferente, se eu ceder… Um dia a mãe fez um poema com a palavra arandela! As velas estavam acesas… Saudade das certezas! Elizabeth M.B. Mattos – Torres – 2012

Irritação abafada

No apartamento de cima, o toque – toque de saltos altos irrita. Os ruídos da geladeira também interferem. Ainda o quebra-quebra de algum apartamento em reforma. Sinto-me presa. Súbito desassossego dentro de mim. Ainda não encontrei o lugar certo para trabalhar. Estou engasgada com a memória: ganchos do tempo usados para justificar neurastenia, irritação, venenos. Relação conflitada entre pais e filhos. Direitos e deveres. Crianças precisam de atenção, modelo, compreensão e lazer. Se as trajetórias servissem para pontuar! Queixas constantes. O bom se alarga num prazer confuso. As possibilidades se misturam: raiva, mágoa com alegria, conquistas e beijos! De que jeito se processa o processo? Elizabeth M.B. Mattos – Porto Algre

Pra não esquecer do Paulo

“P.Alegre,24 de setembro de 1997.

Elizabeth: Leio-te e já estou te mandando o meu palpite. Tens ímpedo articulado, a confirmar o papo do telefone. Aprecio mais a carta para mim, pelo pé no chão de um relacionamento. As outras várias páginas, no conjunto, circulam em torno de um tema, a satisfação ou insatisfação erótica. Claro que isso conta, mas fica geral demais no tom de desabafo empregado, não chegando a ser crônica nem diário, que pedem mais objetividade, experiências vividas. Mas na cálida e pronta verbalização, mostras ter atingido um patamar que já é uma conquista. Devolvo os originais para o caso de precisares deles e te abraça o Paulo Hecker Filho        

P.Alegre, 2 de outubro de 1997.

Elizabeth: Dizes para ‘o filho escrever quando aflito’, falas em terapia e cura pela escrita. No entanto escrever mesmo é antes um seperávit de vida que um déficit e se pode definir o talento como ter o que dizer. Quem sabe sob essas duas colocações, descobres novos caminhos, já que escrever por escrever, publicar para publicar meio mundo faz e só se engana. Cordialmente, Paulo Hecker Filho   

P.Alegre, 2 de outubro de 2005.

Beth: Afável tua última. Quer dizer que estavas de bem contigo mesma. Talvez por admitir a idéia dada de desistir do sedutor e outros possíveis. Os demais fazem parte mas não resolvem a nossa vida. Manderlay é intocável, não têm desculpa esses erros na projeção. Esquece o ressentimento e vai de novo sem falta. Também segunda-feira no moinhos  O mercador de Veneza atrasou quinze minutos, por defeito no rebobinar, se escusaram. Esqueci porque O mercador não dá pra perder, com soberbas atuações de El Pacino e Jeremy Irons. Mando dois livros de poemas para o Rio, a ver se saem em escala nacional. Mas não conto muito. Mesmo assim, sem ficar esperando, espero… Abraço, Paulo”

Amar o amor

Dividimos por categorias nossos afetos. Quando jovens queremos amar o amor. E os amores atropelam a vida: misturados, sobrepostos como roupas de vitrine: blusas sobre camisetas, mantas, casacos sobre saias sobrepostas. Volume. Acúmulo de graça. Sim, namorar, beijar e abraçar é  a graça. Graça de estar vivo. Então,  atropelamos o amor com conversas confidenciais. Atropelamos o amor com vinho e morangos. Atropelamos com ciúmes e lágrimas. Atropelamos com tapas e beijos. Tudo o ser amado, e amante escuta, gosta. Cheira e aperta, acha graça nesta graça. O amor dos vinte anos é assim em camadas coloridas, turbulentas, ferventes. Depois vem o desejo de confiar, excluir, engolir o amor todo e escondê-lo lá dentro na caverna gulosa. O outro não é da vida, mas propriedade exclusiva. O outro não é parte da cebola desfolhada ou rosa mas, único, exclusivo. E o único fica vazio, o vazio de estar/ter envelhecido… Ficamos nus. Sem roupa e sem cor, ao natural; o susto. Esquecemos que ainda assim é vida a vida.  É vida mesmo sem o amor amor, aquele já gasto/esvaziado pelos jovens. É vida na lágrima e  vida na febre. É vida na saudade. É vida pra se fazer… nova. Tudo abastece a chama de amar o amor: olhar o rio, o mar, as flores e o céu, as árvores. Varrer a casa, pintar, bordar, escrever, consertar… Elizabeth M.B. Mattos – Rio de Janeiro –  2012

 

Conversa com Arthur

Com Arthur o tempo e o espaço. E um gramado…

Beth:

Estou no meio da chuva, do vento, do cinza. Descobri que este é o lugar mais visível da ilha. Tranqüilidade interna, difícil conquista.Pouco a pouco retorno aos velhos hábitos de sono, enfrento as noites com menos angústia. Chove tanto! Tanta coisa a ser feita! Por que me arrasto assim no tempo de pensar? Os projetos começam na madrugada, e se esfumam ao amanhecer…

Arthur:

Estás propondo fazer exercício para  acolher com doçura às pessoas? Alienação necessária para interagir com os outros por alguns momentos… Depois, o suspiro de alívio, e retoma-se as esquisitices… Por que não uma grande paixão, Beth? Teus projetos já não se esfumaçariam pelo amanhecer…

Beth:

A temperatura nos engana nesta Primavera chuvosa. Os polens se misturam no ar… Incita, transborda sensualidade. Compreendo bem o que propões. O exercício de acolher importa. Pessoa, de um modo geral, não tem disposição interna para o outro… Nos confundimos com prazeres pessoais porque transitam na periferia da cordialidade, da gentileza amável. Há que rir! Mas jamais desistir. Ser social, tarefa de vontade. Outro fato efetivo: sem a propositada solidão, sem recolhimento voluntário acabamos passando na vida como estranhos a nós mesmos. Parece inusitado, mas não é… Para encontrarmos o eixo, entrar no âmago há que ser solitário.

Arthur:

Não é exatamente alienação. Ato social: esforço para pertencer ao grupo.

Beth:

Como aplacar as incongruências, o sentido emergencial?  Com energia vital limpar, ordenar, empilhar, perfumar. O trabalho físico  alivia o corpo. Como declarou o nosso atleta, ‘não penso quando estou nadando, apenas nado’, e ele vence seus próprios recordes… Assoberbada por sensações físicas eu me sinto bem.  O outro, claro, também  alimenta. Para o artista, este vazio é necessário. Bom dividir a cama,  mas neste momento, melhor dividir o texto. Se Vênus voltar ao quadrante eu me atiro… Paixão! Outro abraço colorido e quente como deve ser. Vou beber um copo de vinho, e deitar na grama. Reafirmo: o social, uma tarefa de vontade. Elizabeth M.B. Mattos