divagando devagar com letras

A expressão do homem, suas vozes… O som do ser humano, o gesto, o andar, o escutar, mais uma vez o som genérico das vozes que não cantam soltas, nem livres, mas engajadas em espaços permitidos, e decodificadas por outras vozes / melodia.  O homem entre outros homens: dizemos para sermos ouvidos, escrevemos para sermos lidos, pintamos para sermos vistos, fazemos música, e compartilharmos o Eu. Um Eu de experiência exibida. Este mesmo homem quer, então, participar… Agir e fazer através da escrita: expressar. Escrever nunca é a cópia do que já foi feito, ou, pelo menos não deveria ser. Escrever é instalar-se na recusa do estabelecido.  O ato de escrever supõe coragem. Mas escrever assegura mudanças, implica em não se deixar apenas ocupar… Interiorizar-se, observa, mas participar / doar. Reconstruímos, e ou alteramos o estabelecido. Escrever é registro de intenção. O texto, espaço expressivo de quem escreve, sedução. Seduzir, uma aventura: admitir a necessidade de um propósito. O corpo do escritor se junta ao corpo do leitor num abraço que busca solução.  Assim, a atividade de escrever insere-se entre as outras atividades sociais.  Escrever, então, é fugir / chegar / exposição. Escrever é armadilha amorosa. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de tanto vento! Torres 2019 Pensando no escrito!

“Sempre voltava a ser tomado por nostalgia das viagens da minha juventude, em que ninguém me esperava e em que, pelo isolamento, tudo parecia mais misterioso, assim sendo, não quis abrir maneira antiga de viajar.” […] “era maravilhoso ser desconhecido, morar em hoteizinhos depois dos hotéis repugnantemente luxuosos, poder avançar e recuar, distribuir luz e sombra como eu quisesse. E, por mais que Hitler tenha tomado de mim mais tarde, jamais conseguiu me confiscar ou perturbar a agradável consciência de ter tido durante uma década uma vida européia de acordo com a minha vontade e com liberdade interior.” (p.292) Stefan Zwig  Autobiografia: o mundo de ontem

ONDE ESTAVAS NO DIA 28 DE AGOSTO?

O avião chegando. Expectativa. Saudade. Alívio. Vou ao teu encontro. Aperto teu corpo, respiro. Sinto naquele abraço o tamanho do desejo, tua falta.  Como posso ser ambivalente? Tantas vezes retornarei aos teus braços. Teus cabelos tão crespos, cheios! Teus olhos rasgados, inquietos. Tua boca engolindo meu corpo, aos pedaços. Teu rosto oriental, exige servidão. Estás dentro de mim neste abraço fechado.

O avião desce. Alegria ferve. Teu olhar me procura. Meus/teus olhos em nós.

Tuas perguntas as minhas. Estabeleço prazos e tempo. O ciúme sai devagar, cabisbaixo. Não me importa quem te beijou, quem te abraçou, o que fizeste, pensaste, quando não estamos/estávamos juntos.  Estou no beijo. Estás lá / aqui, exatamente, como eu te imaginava e estás no meu desejo. Esperas por mim, espero por ti. Levo presentes em linho, branco, macio nos lençóis. Outro perfume. Livros não comprei.

Teus braços pesados, magros, cansados, teus braços. Malas cheias de inverno.

Carrego sempre tantas malas! Quando saio, quando vou, quando voo dizes sorrindo teu azul! Tudo volta ao teu abraço. Onde estavas – amada – na noite de 28 de agosto? Liguei tantas muitas vezes e não te encontrei. É bom voltar para casa! Tenho tantas coisas dentro de mim que só posso resolver dentro de nós! Ele sorri. Abraça bem forte o meu corpo. Eu o inundo de saudade e, agora, sem ansiedade, alegria me afoga e me salva! Eu o amo! Depois segue dizendo / falando: Careço dos teus afagos. Apago lembranças. Respiro. Nós dois apenas: nossas falas, cumplicidade. Estou nas tuas conquistas como estás na minha vida. Amo teus medos e tu meu desespero. Amo o teu espanto. Tua história branca de sombra no meu caminho, fêmea. Amor afável. Matrimonial. Quero dormir abraçado no teu abraço de vinte anos cansados.

As janelas do quarto, cerradas. O barulho na rua, dentro do apartamento, não ouvimos/ nem escutamos.

Onde estavas naquela noite de 28 de agosto, daquela segunda-feira?

O abraço. Um abraço. Nosso abraço.  Falo.  Digo / eu explico.  Suspiro.  Outro abraço, um beijo, outro beijo, nas faces, entre as mãos.

Meu cheiro, agora, teu. E nem quero mais saber onde estavas naquela noite de 28 de agosto! Estamos. Vou continuar estando. Oxalá o vento de ventar se interrompa. Quero amor branco. O amor abre outro amor.  Filosofa feliz. Aqui ou lá? Juntos: o meu, o teu amor. Posso sorrir sem responder. Será que volto pra morrer nos nossos braços, abraços? Estou sempre na mala, retalhado. Ao teu lado eu sou eu. Longe não somos. Não sou eu, não és tu. Já não me importa nada onde estavas na noite de 28 de agosto de 1995.              

Acordamos tarde, os dois. É sábado. Jornais e café. Conversas enfiadas. Avanços, novos projetos. Dormimos abraçados e acordamos apertados. Tua voz aguda. Discutimos. Paramos. Submisso, sem ferir, sem magoar. Tenho culpa? Nenhuma. É um pacto, um acerto. Sobrevivência. Nada sei das noites brancas. Nem dos filmes. Dos livros. Do trabalho, da amiga. Uma viagem, mais uma? Não sei.  Começo a rir, sorrir, um bocejo. Levanto.

Quem sabe um telegrama. Não, hoje não; nem amanhã, tampouco segunda-feira. Talvez na quarta-feira ou sexta. Sábado o aniversário: quarenta e nove! Não. Não vou pensar… Preciso tempo. Escrever, esvaziar o ciúme. Como? Não sei. Enquanto espero o tempo me ganha / segue atrás daquela porta. Estás mais magra. Por que pesa o teu olhar? Sombra cansada? Guarda teu ciúme. Volta para nós. Ama em mim o outro homem, e amarei em ti todas as mulheres. Segura minha mão e fica. Quero teu corpo, teu sexo. Gosto de te sentir/ver despudorada: sem roupa, sem pejo. Teu andar, teu sentar. Veste tuas meias, estica a tua perna. Escolhe o sapato, caminha. Teu joelho! Saia bem curta e blusa justa!  Senta outra vez ali. Elizabeth M.B. Mattos (revisado em novembro de 2019 – Torres em movimento porque o feriado se alonga em surf e beleza!)

 

Stefan Zweig a ser encontrado, relido e atual, certeiro

Pois nada é mais perigoso do que a ambição dos pequenos de serem grandes, e o primeiro objetivo das pequenas nações, mal foram criadas, fora intrigar umas contra as outras, brigando em torno de minúsculas faixas de terra, poloneses contra tchecos, húngaros contra romenos, búlgaros contra sérvios; e em sua condição de país mais fraco de todos nessas rivalidades, a minúscula Áustria defrontava – se com a Alemanha todo-poderosa. Esse país despedaçado, mutilado, cujos soberanos outrora reinaram sobre a Europa, era, devo repetir sempre, a pedra angular.” (p.355)

Stefan Zweig já conheces. Lembro que te mandei o pequeno “24 horas na vida de uma mulher”.  Perfeito. Finalmente, eu me encontro com Autografia: o mundo de ontem. E também a vontade de reencontrar a OBRA COMPLETA: esteve nas estantes da biblioteca da casa na rua Vitor Hugo. Mergulhar na história, na literatura universal. Aventura, prazer! Zweig me faz respirar e querer mais e mais, mas a vida tem limite. Escrever pensar ler aumenta limites. Ah! Gosto de fel e de mel e de prazer! Estou viva! Respiro. Hoje acordei com aquela vontade de revirar livros caixas estantes/prateleiras, tempo e  amor. Efeito / intoxicação de livros e de insônias e tanto sono! Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Claro! Amores amados, os melhores, e os pais perfeitos, e as irmãs especiais, e os amigos certos. Retrospectiva de 70 anos esparramados em buganvílias e jasmins,  ciprestes, mar e campo, de certo, tudo amor e agora de frente pra lagoa e no tempo, tanto tempo!

amei /amaste / amamos

2019-11-13 03.56.15 (3) salaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Amei /amaste / amamos solto. Fácil o mapa do nosso corpo. A cada surpresa outra certeza de prazer. Não conversávamos, nada tínhamos a nos dizer que não sentíssemos. Éramos, os dois: gosto / tato  e o cheiro, o mesmo. Sem filosofia, sem psicologia, sem literatura. E sem medida que não fosse exaustão. O riso num copo, o mais lindo. A pequena sacada aberta e as flores por todos os lados emolduravam dias e noites. Horas desavisadas em que nos víamos coloridos. Tínhamos por inteiro um ao outro. Desejo ardido. Posse. Acelerava sem medo da velocidade, das ultrapassagens nem da chuva nem da noite. Nem das madrugadas. Então, não tínhamos pressa porque estávamos entre abraços. O brinquedo da alegria e da brejeirice. Não pretendíamos mudar nada, alterar nada, concluir nada, não medimos a distância, a vida, os interesses. Usufruímos. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Porto Alegre – Torres – sem medo da verdade. E não estás mais aqui!

soterrada

Quando o tempo atropela soterrado de verde amarelo e vermelho: dizemos vida. Estações se misturam – memória amorosa. Colei etiquetas, empilhei as caixas sem pudor atravessei as salas devagar. A uns seus pecados perfeitos, maltratados ou prisioneiros… Fronteiras foram/são violadas, porque não existem. Somos os mesmos: verdes, azuis, amarelos, pretos, marrons ou com pintas coloridas, ou transparentes dourados, prateados, cobreados. Colônia amorosa: o mundo. E muito, tanto, bastante sono num dormir continuado induzido numa sonoterapia reparadora e tranquila entre o cinzento e o branco e o negro das noites sem estrela, sem lua, quietas. Sem interferências. O meu ritmo: durmo, acordo, duas bolachas, uma banana uma maçã, uma massa caprichada invertida também com iscas de sabor, uma preguiça, outra saudade, uma música, um Schubert ou Chopin ou Liszt quando o piano toca dentro da minha caixa. E o vinho se faz necessário, uma taça. O excesso me cansa. Medida comedida da vontade. Gosto da chuva e espero o sol para que os travesseiros se iluminem quentes e frescos e os lençóis se perfumem com luz! Então o vento engrossa a conversa de mau humor. Eu respeito. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Torres

perigo

“Nas horas de perigo, a vontade de ainda ter esperanças fica imensa” (p.202) A citação se refere a Primeira Guerra Mundial.

“O primeiro susto causado pela guerra que ninguém queria, nem os povos, nem os governos, essa guerra que havia escapulido sem querer das mãos desajeitadas dos diplomatas que brincavam e blefavam com ela, transformara – se num repentino entusiasmo.” (p.203)

Esse vagalhão se precipitou com tanta força e tão de repente sobre a humanidade que, cobrindo a superfície de espuma, fez subir à tona os escuros impulsos e instintos inconscientes do animal-homem – o que Freud chamou com perspicácia de aversão à civilização, o desejo de romper com o mundo das leis e dos parágrafos e de pôr para fora os antiquíssimos instintos sanguinários. Quem sabe essas forças ocultas também fizessem parte daquela louca ebriedade em que tudo se misturava: o prazer do sacrifício e o álcool, o desejo de aventura e a credulidade excessiva, a velha magia das bandeiras e das palavras patrióticas – essa ebriedade sinistra de minhões, que palavras mal conseguem descrever e que por um momento conferiu ao maior crime do nosso tempo um impulso violento e quase arrebatador.” (p.204) Stefan Zweig  Autobiografia: o mundo de ontem

Eu me excedo em transcrições. Tanto ou tudo foi escrito com tal precisão e perfeição! Sou a repetição em versão narcisa. Palavras me assustam. Sou, irremediavelmente, a mesma, heroína. A conversa tropeça e cai na rede de pequenas histórias. Amorosas, as melhores/maiores margaridas desfolhadas do jardim: únicas e íntimas. As melhores.

De guerra, ou gritaria, de prisão ou julgamento, teatro/palco/exposição. Sobrevivente sim. Não de doença ou quase morte. Ou de amor e de ódio, ou desencontros. Sobrevivente da vida ela mesma enquanto vida /viva. Da vida ela mesma no seu balanço… Cada texto um leitura. Ou releitura. O recorte é aberto: como/onde quiser. Ao gosto e ao desgosto.

Pintores pendurados nas escadas e na música de vozes invadem a minha sala. O dia seguinte, a festa. O edifício veste roupa nova. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Torres com ventania  sem cor, neste novembro de frio, num arrepio de fim de ano terminando.

20Freud

gentileza

Mulher bonita na gentileza sedutora. Olhar inquieto, atento. Lento e manso. Pernas firmes e belas. Pés pequenos, perfeitos. Gestos leves. Pacífica.

O dia se escalda debaixo do sol. Pesadas cortinas me protegem: esperança de  meia hora, um dia, uma semana. Peguei uma taça de café.  Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Torres.

fotos se amontoam…

[…] “aquilo que imaginamos serem os nossos pensamentos fundamentais acerca do mundo não passa, muitas vezes, de confidências a respeito da juventude do nosso espírito.” Gaston Bachelard

Foto de Elizabeth bebê. Ainda posso encontrar outras da menina, com a Dinda Felícia, em Santo Ângelo, quando o Telmo servia por lá, outra em Ponta Grossa. Este tio, primo-irmão da mãe muito me carregou para cá e para lá.

Lembro da boneca linda com cabelos naturais, Chapeuzinho Vermelho! Delicada. Os olhos se mexiam. Era de louça, francesa. O vestido curto. Tão bonita minha boneca! E volto no tempo. Se eu nasci em setembro de 1946, e parece que foi mesmo neste ano (risos), e a mãe viajou 1949 para Paris, fazer um curso. Eu tinha três anos. E quatro anos ou já cinco quando voltou. Quem cuidava das meninas? Éramos três. Se este ano de ausência importou, quem eu sou? Quem é esta menina de três anos? A Ligia, mãe da Magda, morreu no desastre de avião. A mãe voltou em 1950. Como posso lembrar das grandes festas de Natal? E a casa da rua Vitor Hugo 229 tinha um grande pátio com jacarandás, depósito de lenha, enorme cozinha, e o jardim na frente. O cão pastor, o Tom, e o Japp, o cão da Suzana, e os gatos. Na outra foto, ano que a Tânia casou, 1958 ou 1959, não sei bem, o casamento eu usava carpins brancos e tinha os cabelos muito curtos. Depois da primeira reforma. Os muros desapareceram e a grade na janela da frente, enorme, único adorno. Eu gostava! E as venezianas! Lareiras. Pesadas cortinas. Beleza! No casamento eu usava carpins brancos e tinha os cabelos muito curtos. Estudava no Colégio Santa Inês, com as dominicanas. E o Petrópolis Tênis Club era o máximo! O Pedro agarrado na grade querendo caminhar. Ao lado, na rua Marquês de Pinedo em Laranjeira, Rio de Janeiro, com Aroldo Rodrigues grávida de oito meses do Pedro. Casamento, com Érico Veríssimo e Mafalda. Com a Joana nos braços, dia do batizado no Palácio Laranjeiras. Com Guilherme Antônio, filho da Suzana, nos braços, em Porto Alegre. Érico e a mãe padrinhos da Rita (filha do Alberto Ruschel ,o ator) e depois a casa da Vitor Hugo, 229 em Petrópolis – Porto Alegre.

 

A mãe em 1967. Poemas e cartas. A viagem de volta para o Brasil depois de um ano na França. “Perante o fogo que morre, quem está a soprar desanima; não sente o entusiasmo suficiente para comunicar a sua própria força. […] realiza o seu desânimo e a sua impot^rmcia, transforma num fantasma a sua própria fadiga. Deste modo, a marca do homem versátil encontra – se em todas as coisas. Aquilo que declina e aquilo que sobe em nós transforma – se no sinal de uma vida oculta ou no despertar para o real. Semelhante comunhão poética provoca os erros mais tenazes opostos ao conhecimento objetivo.”(p.84)  Gaston Bachelard A psicanálise do Fogo – Coleção O mega / Estúdios COR

E lembro da casa do Rubens M.B. Costa em Ipanema. Que franja tão curta! Que jeito faceiro! A mãe já tinha voltado. Eu deveria ter meus cinco anos, ou quatro? Bem feliz! E já os verões em Torres e nossos piqueniques nas pedras! Outros tempos de ser feliz! Na outra foto pousando para Revista Globo, na Vitor Hugo, no que seria o Pavilhão. Onde fazíamos nossas reuniões dançantes! Os documentos da viagem de volta da mãe. E os poemas e cartas. Ela teria escrito um, dois livros, ou três e quatro tanto artista e poeta era!  E bonita! […] a vida renda. Se vou me lamentar da ausência retomo o cuidado, o encantamento com que ela, minha mãe, fez acontecer na vida das três meninas. Inclusive autenticidade e cumplicidade.  Não se pode emprestar restrição, arrependimentos ou frustrações, mas vida na vida. A foto da mãe é de 1967.

 

Carta de Eleitor de Pedro Alexandrino de Mattos, meu avô português. Ana Maria 2019. O meu pai, ainda na Marinha. Luiza pequena. Geraldo e eu (grávida da Ana Maria). Notícias de jornal quando lacei o livro da biografia de Xico Stockinger / tempo da Garagem de Arte. Poema da mãe, foto do pai.

 

 

 

 

caudalosas cascatas

“A minha imagem era bastante romântica, e não me envergonho de dizê – lo. Para mim os Estados Unidos eram Walt Whitman, o país do novo ritmo, da futura fraternidade entre os povos […] pensei, portanto, em Manhattan com um sentimento aberto, fraternalmente largo, em vez da costumeira arrogância  do europeu. […]

A primeira impressão foi poderosa, embora New York anda não tivesse aquela inebriante beleza noturna que tem hoje. Ainda faltavam as caudalosas cascatas  luminosas na Times Square e o maravilhoso céu estrelado, que à noite ilumina as estrelas de verdade do firmamento com bilhões de estrelas artificiais. O cenário da cidade, assim como o trânsito, não tinha a generosidade ousada de hoje, pois a nova arquitetura ainda experimentava com muita incerteza os edifícios altos; mesmo o apuro do gosto em vitrines e decorações apenas começava, timidamente. Mas olhar o Brookling Bridge – sempre vibrando em movimento – para o porto, e caminhar pelas avenidas, esses desfiladeiros de pedras, era descoberta e fascinação o bastante, que depois de dois ou três dias evidentemente deram lugar a outro sentimento, mais virulento: o sentimento da solidão máxima.”(p.174-175)  Stefan Zuweig Autobiografia: o mundo de ontem

[…] talvez, um modesto talvez salta do sonho. Desejo abrir os olhos e estar lá! Ofuscada pelas luzes, ofuscada pelo sonho real, ofuscada. Estar em New York, descer na terra americana. O autor a descreve antes da Primeira Guerra, antes, antes. E já era meu sonho. As encarnações dos desejos. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Torres

2019-04-27 20.13.01.jpgcapa das histórias