Tento usar o sistema, atrapalhada. Noite sem dormir. Cedo caminho até a praça. Chuva miúda. Preciso de uma xícara de café. Noite branca. Agitada na imobilidade exigida/posta e assustada… Há cinquenta e dois anos atrás eu estava me casando com Geraldo na Igreja São José em Porto Alegre. Um dia de verão quente. Muito, muito, muito quente. Persigo o número 9 nesta matemática de infinito. (09/02/2020 07:13:43)
No mesmo dia viríamos para Torres. Lembro da nossa juventude. Esticar os lençóis e arrumar o tempo de ser marido e mulher. A ideia do para sempre e sempre… Casamento de verão! Fora do lugar. Sabíamos inventar, inverter e ser apenas a vontade da urgência, a nossa.
A fugir e a me esconder da sombra. Escamoteio pensamento. Perco o rumo. Atrapalhada no viés. Ser eu comigo… Emaranhado de sol sem sombra, com frescor de primavera. Ou verão tão e tão completamente escondido noutro verão. Todos os velhos aparelhos eletrônicos obsoletos me fazem falta. Não me renovo. Esta noite eu senti frio. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2020 Torres
Sombrio e lento… Tomaria uma xícara de chá com uma enorme fatia de bolo de chocolate, ou bolo de laranja. Ou uma xícara de café com torradas e mel. Ou sou eu a tricotar e a esperar o inverno. Onde estarás? Estou.



“[…] Pode ser que eu não tenha muita personalidade para desenvolver – me. Meu interesse pela forma poderia ser – estou falando seriamente agora, não modestamente – a indicação de um talento de categoria inferior. Mas a gente precisa enfrentar estas coisas. Não tem nenhuma importância que se fracasse uma, duas, três vezes, mas é de vital importância que a água encontre seu nível e que se faça o melhor que se puder com as forças que lhe são dadas. É perder tempo lutar por coisas fora de nosso alcance, da mesma maneira que é absolutamente imoral ser indolente a respeito de qualidades que se tem. Compreendam, não estou fundamentalmente interessado no artista. Uso – o para tentar ser um homem feliz, o que é uma tarefa muito pesada para mim. Eu acho a arte fácil, mas a vida é muito difícil.” (p.291-292)