“Textura do tempo”, sempre Nabokov: morrer, o choque de abandonar para sempre todas as nossas memórias

E todos os meus pensamentos, ah, meu querido, são miméticos dos teus…., insólito afirmar com incerteza, mas sei que estás do outro lado, acovardado pela resiliência. Larga tudo e me abraça. Toda a minha pequena e fantasiosa vontade de te beijar escorrega como flores de milagre… Quando me submeto aos beijos impossíveis e necessários consigo transformar o malabarismo desta entrega em algo apenas meu, meu gosto de volta… Como se fosse possível me abastecer para te esperar. Tu não te atreves, não te preparas, não te propões. A expansão do passado e o crescimento luxuriante da memória multiplica esse número para pelo menos cinquenta. Tantas foram as missivas que voam cheias de desejo, beijos, abraços, odores e entrega. Sem dúvida, a estranha multiplicação retrospectiva dessas cartas podia ser explicada pelo fato de que cada qual lança uma sombra lancinante, tal qual um vulcão na Lua, sobre vários meses de sua vida, reduzindo -se a apenas um ponto quando começava a brotar o pressentimento não menos doloroso de outra mensagem. Muitos anos depois, ao trabalho em Textura do Tempo: encontro neste fenômeno prova adicional de que o tempo real se relaciona ao intervalo entre os acontecimentos, e não a sua ‘passagem’. Nem mesmo a combinação dos eventos, ou ao fato de que projetam sombra sobre a fissura onde transparece a textura temporal pura e impenetrável. O que desejo não chega ao teu corpo. Não consigo tirar tua roupa, tocar tua pele, e fazer ajoelhar. Ada ou ardor, absolutamente, incrível e perfeito, e, uma mistura de texto e memória, já não sei mais, eu anotei tantas vezes que tudo se misturou… A leitura tem o feitiço do imediato, da inclinação, absorção, do flagrante roubo de expressões, palavras e jeitos, arranjos. Somos confiscados pelo autor e ficamos mergulhados por muito tempo, o barril de vinho…

Qual é a pior parte de morrer? […] Em primeiro lugar, há o choque de abandonar para sempre todas as nossas memórias – isto é um lugar-comum um sem-número de vezes sem desistir desta bobagem de acumular ainda outra vez os tesouros da consciência que lhe serão de novo confiscados! Temos então a segunda faceta – a abominável dor física -, na qual, por óbvias razões, não nos deteremos. E, por fim, o peseudofuturo informe, vazio e negro, um eterno não-durar, o paradoxo último das escatologias de nossos cérebros tão limitados!” (p.435)

As cartas respiram, se contorcem, vivem. E o que posso eu fazer senão reler, e trancá-las na gaveta para reler no outro dia. Em nenhum momento terás coragem e loucura de me amar. Todos os freios te seguram. Todos os medos te agarram. e todas as incertezas te consomem. Quanto a mim vou diminuindo, encolhendo no prazer e na entrega daquela dança das bruxas possíveis. E te espero. Durante tantos e intermináveis anos colecionei as cartas como mosaico, como confissão, como grito amarrado, como lágrima como perfume, como amor de horas e horas, de corpo com corpo. Estranho que não possas ousar. Então eu me conto histórias, eu descrevo teus olhos, teus braços e me despeço de mim mesma… Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 – Torres

Agradeço tua vida a surpreender, e n t e n d o a exaustão da palavra que nos levou a nos deitar um ao lado do outro para conseguir, no mesmo ritmo, respirar. Que bom teres segurado minha mão, Foi como eu recebi toda a tua energia amorosa. Ah! meu querido, por favor volta, vamos acreditar que podemos ter um novo mundo de fazer e de amor.

desafio

Amar no palco seria como viver/respirar/ estar sempre representando. O grande desafio seria/é/deve ser reviver a vida para si próprio,  como sobrevivência na particularidade da vida. Ou quintal, sem jardim. VIVER  sem os refletores, sem palco, nem plateia. Viver no seu próprio eixo… Claro, somos gregários, não lobos solitários. Pequenos núcleos, pequenas comunidades tem luz própria. Quintais sombreados por jacarandás.   Por que tanta necessidade de confrontar, absorver, exibir, e  tomar posse do outro? Esquisito me dar conta de que a apenas minha pequena vida não basta. A maior evidência desorganizada disso  está na visualização constante/inquietante, deste derramado olhar sobre as calçadas, sobre os outros, sobre o remexer das garras/braços do amor.  Olhar e espiar o todo…., o maior. Conhecer o inteiro, provar tudo de tudo. Este é  o conceito de crescer.  Apreender. Ser sem necessariamente ter. Estranha oscilação! E o amor como sinaleira máxima. Experiência de danada/abençoada e instigante solidão. Beth Mattos – novembro de 2020 – Torres

” O esquecimento é o espetáculo de uma só noite; assistimos a representação uma única vez, não haverá outra exibição”

Vladimir Nabokov – ADA ou ardor – página 241.

Sim, eu vou retomar: re / tomar/ o mar / voltar com pulmões cheios de ar e revisitar / ampliar o olhar no visita vista. O livros tem/possui/tem a qualidade, os adjetivos / ativos de/para a melhor revisão.

Nenhum aparelho de oxigênio o ajudará a evitar ‘ a agonia das agonias’, […] Os tormentos físicos que vai sentir [….] O pensamento do homem, monista por natureza, não é capaz de aceitar dois nadas: ele sabe que houve um nada, sua existência biológica no passado infinito, pois o branco total de sua memória assim o diz, embora este vazio residindo como é o caso no passado, não seja muito difícil de suportar. Mas um segundo nada – que talvez não seja tão difícil de suportar – é logicamente inaceitável. Quando se fala de espaço, pode – se imaginar uma partícula viva sem limites do espaço; mas não há analogia entre esse conceito e nossa breve vida no tempo uma vez que, por mais breve que seja (e um período de trinta anos é de fato obscenamente curto!), nossa consciência de existir não é um ponto na eternidade, mas uma fenda, uma fissura, um precipício que corta toda a extensão do tempo metafísico, dividindo – o em dois e brilhando – não importa quão estreita a abertura – entre os painéis do antes e do depois.. […] podemos falar do tempo passado e, de forma mais vaga porém familiar, do tempo futuro, mas simplesmente não podemos esperar um segundo nada, um segundo vazio, um segundo branco. O esquecimento é o espetáculo de uma noite só; assistimos à representação uma única vez, não haverá outra exibição. Por isso devemos encarar a possibilidade de alguma forma duradoura de consciência desorganizada […] mas uma coisa é certa: a única consciência que persiste no além é a consciência da dor.” (p.241)

Tudo importa neste livro. Assim, a leitura tem medo de terminar. De parágrafo em parágrafo. Que passe um dia! ” O esquecimento é o espetáculo de uma noite só”. Amanhã será mais do que um minuto.

O medo de terminar faz com que eu me apresse a fazer/cozinhar/terminar o feijão. Lavo a roupa, estendo as camas, ventilo os travesseiros no sol da manhã. Faço o café num ritual apenas meu, como marca deste cotidiano igual, desta monotonia preciosa de estar, ainda, viva e presente ao meu espetáculo particular. De forma louca acalmo a grande ansiedade. Coloco os pés no chão, na terra planto o coração. Fico horas e horas e horas apreendendo / visualizando o mapa dos Estados Unidos, seguindo as rotas e as cores. As eleições americanas como febre da minha ignorância absoluta. Ainda existe compromisso, luta, garra, força, vontade, disposição aguerrida Afinal, quem eu sou? Escrevo apressada, leito feito caranguejo, deixo rastro da gosma. Um gosto de perda, uma loucura de pensar e pensar e dobrar, guardar. Sem nenhuma finalidade. Este foco desfocado parece o nada, do nada. Medo de terminar o que não foi começado, sair correndo, fugir de um nada tão absoluto! Somos uma fenda…um corte mínimo. Esquisita sensação! Beth Mattos – novembro de 2020 – Torres

no outro eu sou eu

No mármore quebrado da mesa de ferro eu me inclino para escrever. Sala limpa, silenciosa. O silêncio não me alcança, sentido inverso, ele salta de dentro do meu corpo para se espalhar na sala. Ordem, luz adequada: limpeza. As outras peças da casa tomadas pela desordem. Disponho-me organizar/arrumar a cabeça: equaciono possibilidades. Não, nada farei sem autorização.

Pequenas regras/ordens/lógicas de convivência abafam a voz. Outra vez amarrada na autoridade, submetida a ordem, presa na armadilha. Qualquer valsa, ou som de clarinete, tambor do coração parece excessivo, exposto. A madrugada abraça, os vasos da sacada respiram por mim, mas não é suficiente. Quero mais…

Cabelo comprido a se espalhar pelos ombros de menina. Esfogueada. Leitura adolescente, velhos romances: para sempre felizes, sem rebeldia. Dentro, nas entranhas, na criança, naquele olhar perdido: velhas injustiças se remexem: o namorado olhou para o lado, o vestido rasgou na cerca, ninguém descobriu o esconderijo, não entendeu nada quando a professora explicou. Olhar que não olhou. Silêncio. Beijo, dúvidas se esqueceram/afundam na gravidez. E o cimento cobre madeiras e pedras. A terra se mistura com adubo, floresce. E a casa surge… Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 (de outro tempo preso em Porto Alegre -2008)

Pensar pode ser uma batalha de perder pedaços devagar. Pura preguiça… Qualquer lado pode ser excessivo. O incorreto está dentro do correto. Sem margem. Então oscilo estico os braços e as pernas, bocejo. Engraçado! Sabes o que amor amor significa? O conforto de se esvaziar de si mesmo. A entrega não é física, mas com certeza de dentro… Com certeza, melancolicamente, no amor, somos o outro. Certeza de ser avesso sendo direto, esquerdo ou mais ou menos. Ah! aquela abençoada preguiça e entrega de ser assim o outro esparramado/envolvida/preenchido pelo nosso amor. No outro sou eu completa.

incorrigível e distraída

1.

Nada fácil entrar sem quebrar a casca, deixar escorrer o que importa, guardar o essencial, não é fácil. Malabarismo. Desviar das pessoas, dizer a verdade, sentir intensamente. Como todos os sentimentos intensos nos são vedados, somos metade. Nos enfiamos na vida do outro e respiramos. Os homens foram por muitos, muitos e muitos anos escudos da beleza, da feminilidade, da palavra até de uma mulher. Um jogo estranho, afinal somos seres humanos, e deveria ser irmandade. Não. Há a tal guerra de vaidades, aquele comportamento ligeiro, descuidado de uma pessoa com a outra. Um descaso aparente, mas sempre descaso certeiro.

A vacina chegou cedo para mim, pragmático? De certo terei outras oportunidades, outras vidas, ou já sou a sobra de vidas vividas. A minha alegria espanta o dia porque não tenho motivo nenhum para festejar, igual festejo. Costuro os humores carregados. Desligo as vozes cruéis. Protejo os olhos do sol. E deixo a chuva me dar prazer. Uma observação esquerda vira direita. Um jogo de acertar, de perder e ganhar como quebra-cabeça.

Eu volto as mesmas histórias quando se trata de descobrir o caminho de chegar na paz. Paz serenidade, encontro e amorosidade.

Aquele rapaz que encontrei aos dezoito anos tão disponível na casa do meu primo Eduardo era um engodo certo que se pretendia político. Ah! Se eu soubesse o perigo destas almofadinhas! Era irmão de uma colega de colégio. Daquela facilidade com armadilha. Desprevenida, atabalhoado e alegre. O Colégio Bom Conselho parecia apenas festa, o rapaz era azul naquele mundo. Incorrigível distraída, e mergulhada em futilidade objetiva, noivei. Confesso que o rapaz, brinquedo de seus próprios sonhos, indeciso se deixou conduzir pelo pai, este cerimonioso conversou com meu pai (inadvertidamente brincou e brindou), e numa cerimônia século XIX, digna de romance rosa de M. Delly, céus! O divertido enxoval, e preparativos não deixava tempo para pensar. Meninas se casavam cedo: estaria no calendário daquele ano. Noivado morno de beijos sem abraços, apenas degustativo nos jantares, nas horas marcadas. Céus! Como o meu romantismo de revistas em quadrinho, e conversas avoadas me fizeram voar. L.A. era de uma vaidade inquestionável e raso sentimento. Nada percebi, aliás, eu não sabia nada de mim mesma, como saberia alguma coisa de nós? O carimbo feito do mesmo jeito espantoso e coerente veio em seguida: personalidades encolhidas, canhestras e sem brilho, alguma coisa devo ter feito, coisa indevida. Depois de sete ou oito meses o mesmo pai engravatado e cerimonioso, sem maiores explicações, veio devolver a menina descompromissada demais, irreverente demais, e ou milhões de coisas que não sei. Fiquei chocada. Fiquei marcada. Fiquei ferida. Fiquei judiada. E me levaram para o Rio de Janeiro. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 – Torres

Bom que era tudo fluído, inconsequente, sem lágrima, como brinquedo quebrado a ser consertado. Fiz tudo errado. Acho que não me perdoo por ter sido tão desavisada!

L.A. Antunes foi meu primeiro desastre convencional e difícil / o precipício era logo ali depois da esquina. E nem derramei lágrimas. De certo estava tudo mesmo muito bastante errado.

Quando o amor amado por FT volta eu lembro de todos os detalhes dos trambolhões atrapalhados, e das dificuldades. Mas ele me salvou. E eu digo obrigada. Demorou a chegar o tempo destas paixões, mas deposito na desconfiada maturidade algumas flores. Estas histórias se engavetam, se atrapalham, se misturam na rapidez das soluções… A saber o que aconteceu seis meses depois de chegar ao Rio de Janeiro. Acho que fui ‘arrancada’ dos meus amigos de meninice. Se eu tivesse apenas chorado em casa, um pouquinho, estaria curada para sempre.

prisioneira

Quando penso em ti parece impossível não te amar (tanto e tanto como te amo!). Impossível não te reconhecer e não te saber como és por inteiro: inteligente, generoso, bonito e pura doçura. Tu és feito para amar o amor. Tua guerra? A força desta coragem: entrega e vulnerabilidade.
A cada volta teu sorriso, tua sedução importa. Minha raiz és tu: fiquei pedaço, fatia. Fiquei presa/prisioneira amarrada no teu corpo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 – Torres

John Donne

Poucas pessoas souberam escrever a ideia de humanidade partilhada como John Donne o fez nos idos do século XVI. Diz-nos Donne:

Excerto “meditação XVII”

“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”

O destaque importa mais do que qualquer outra palavra. o que acontece no mundo / com o mundo/ com todos IMPORTA. Mais do que nunca as palavras de DONNE crescem! Beth Mattos

A beleza pode ser um peso no tempo de terminar, morrer/ fazer a passagem / terminar o contrato. Ninguém envelhece bonito. Envelhecemos. Ponto final, um limite. Um enfrentamento. Sim. Posso guardar alegria, coragem, orgulho, determinação. Mas a verdade simples e cruel, duríssima e certa/igual, envelheço. Bom, quem sabe ter saúde alegra / ameniza o envelhecer: tranquiliza e dá independência… Não importa, envelheço. Os detalhes deste envelhecer no olhar embaciado dos filhos apressados. Sim. A cada um dia, dois ou três vida  fica menos viver. A cada um seu encantamento, mas sua arrastada despedida. Nada substituí a energia vital de ser pessoa. Não apenas mãe,  nem avó,  nem tia, nem querida ou boa amiga. Envelhecer é  mesmo um ponto final. O ideal, talvez seja/é o temperamento distraído de respirar. Sem fotos. Sem espelho. questionamentos. Sem conclusões. Uma droga esta coisa terminal de envelhecer, esta é a questão. É terminal. Bom não podemos ser eternos. Talvez resolva pensar, ou ter palavra. Ou ter lembrança  ou ter passado…Ou chegar no alto de produzir, do fazer. E a beleza se empacota sozinha, com autonomia. Ou se coloca na terra para brotar.  Flores embelezam. Perfumam e… Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 – Torres

possibilidades perdidas / desejos ocultos

Felizes. O trabalho abençoa. Rotina organizada. Cheiro de felicidade, um baile de máscaras. Juventude.

[…] “assomavam de volta à realidade as figuras anuviadas do baile de máscaras; o melancólico desconhecido e os dominós vermelhos; aqueles acontecimentos insignificantes viam – se de súbito, mágica e dolorosamente, banhados pela enganosa aparência das possibilidades perdidas. Perguntas inocentes , mas perscrutadoras, respostas astuciosas e ambíguas eram trocadas; a nenhum dos dois escapava que o outro não fazia uso de toda a honestidade, de modo que ambos se sentiam dispostos a pequenas vinganças. Exageravam a atração que sobre eles haviam exercido os desconhecidos parceiros de baile, zombavam da realidade ciumenta que o outro deixava transparecer, negando a sua própria.(p.9-10)

[…] “Em cada criatura – creia-me, ainda que possa parecer banal -, em cada criatura que julguei amar, estava apenas e sempre procurando você. Sei disso melhor do que você é capaz de compreender, Albertine.” (p.15)

Conversas perigosas e apaixonados. NA D A, e toda amorosidade se transforma em angústia, raiva, desprezo ou dor. Um nada e a cabeça se movimenta tormentos do passado. Inomináveis. E que agora já nem importam. Embora deseje falar / dizer junto, voltar no tempo para ter certeza disso ou daquilo, alguma coisa, ou nada vai mudar…, apenas apaziguar. Ou tirar, definitivamente, a paz da harmonia que o desconhecido possibilita / o tal limbo…, nem Céu, nem Inferno.

— desde a conversa noturna com Albertine, ele se afastava cada vez mais do território familiar da sua existência rumo a um outro mundo qualquer, distante e estranho.” (p.37)

Acordado de um sonho, por exemplo. Claro, nós nos lembramos… Certamente, há também os sonhos que esquecemos por completo, dos quais nada permanece além de um estranho estado de espírito, um misterioso atordoamento. Ou lembramo-nos somente mais tarde, muito mais tarde, e então nem mais sabemos se vivemos de fato a situação ou apenas a sonhamos. Só que… Só que…” (p.102) Arthur Schnitzler Breve romance de sonho

O sonho não fica preso entre os dedos da mão, escorrega inquieto para as dores do corpo. Insônia, ou perguntas idiotas. O que será do Brasil? Da Amazônia, do Pantanal, da estabilidade, ou do amanhã? Por qual desvio… Estados Unidos ou China. O que serei? Não compreendo nem falo mandarim, e o inglês afasta o espanhol, o francês e o russo. Desligo as notícias, esqueço avaliações, e não penso mais que aos vinte anos, sem saber, minimamente, de mim mesma a vida tinha o risco indefinido da maternidade, de todas as decisões do que seria ser Eu. Saberei conduzir / acertar e mirar o melhor? Ainda vale a dor/a pena? O que será/seria o bom caminho? Não estou em lugar nenhum… Choramingar não resolve nada. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 – Torres

humor debilitado

Entre o sol e o humor debilitado, ou péssimo, talvez depredativo humor. Não existe posição categórica. A certeza incerta.  Oscilo. Recados mentais, será que existem? Sonhos elucidativos? Onde se esconde o perigo? No silêncio ou na conversa? Posições / ideias arrojadas fraquejam. Escolhas erradas.  O que significa conviver? Concordar? O jogo não tem regras, ou sou eu que desconheço o manual. E se elas existissem, as regras, seria justo este ir e vir da vida, assim, sem saber exatamente do que se trata? Escorrego a pensar imobilizada, não penso. Estamos no melhor lugar do mundo, ou no pior? Estranhamento. Um dia depois do outro… E.M.B. Mattos – novembro de 2020 – Ainda em Torres.