blindada

Pouco do nada é não ter. Nem estar entre balões.  Pouco do nada é querer fazer sem fazer. Esperar por milagre. Milagre não existe, ou é ou não é …, ilusão ou miragem?  Fica a vida por conta desta fantasia. Desvio, ou é um beco. Estacionei. Espero na nuvem. Guardada, blindada. Palavra com sentido invertido. …, abraçar e beliscar, … imagino, e tu me vês. Não sou eu, não és tu. Invento. Sonho no meu sonho. Escondida. Onde estás? Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

balão amarelobalões

balão amarelo

sussurando

“Despertei Justine de seu sono inquieto e explorei sua boca, seus olhos e seu cabelo delicado com uma curiosidade ansiosa, que para mim sempre foi o principal da sensualidade.”(p.84)

…., sensualidade presa no detalhe do desejo: prazer súbito do azul, da magreza.  Sensual, a boca … Devoro a voz que se modula com consciência. O ritmo da fala escorrega, escapa, há mesmo que ter consciência! A leitura completa gozo e prazer. A descoberta das manhãs afundam na expectativa das tardes; a noite estremeço, e durmo, mas logo na madrugada o livro me agarra.

…, pois é assim a leitura, cotejante, arrebatadora. Segue o veio apaixonado da mão que procura. (…,  nunca deixamos de farejar, saltar a rotina , … sorrindo).

Há o luto a trovejar no tempo de resguardo escondido/guardado. Há também esquecimento e lamento. O caminho proibido, a esquina ruidosa. Cheiro de sal, ou de sol, …  E desperto o melhor que paradoxalmente teimo em esconder: o desejo. Desejo do sussurro, arrepio. Vontade tenho de ser apenas mulher. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

“Recordo o langor furtivo com que nos vestimos e, silenciosos como cúmplices, descemos pela escadaria sombria até chegarmos a rua. Não ousamos dar-nos os braços, mas nossas mãos insistiam em encontrar – se poe acidente enquanto caminhávamos, como se ainda não tivessem rompido o encanto da tarde e não suportassem a ideia da separação. Foi também em silêncio que nos despedimos, em meio às árvores moribundas da pracinha, torradas pelo sol até assumirem a cor do café; despedimo-nos com um único olhar – como se desejássemos assumir um lugar eterno na mente do outro.”(p.85)

” [ …] ‘Você parece distraído. O que houve?’, senti vontade de responder com as palavras de Amr moribundo:’é como se os céus estivessem mais próximos da Terra e eu estivesse preso entre ambos, respirando pelo buraco da agulha'” (p.85) O Quarteto de Alexandria Justine – Lawrence Durrell

sofá ótima

 

contraditório

ocupa espaço

da calma

da indiferença.

tudo tomado enquanto penso

obsessivanente penso em ti,

desaprendo a ser eu, sou dois

Sonhamos supondo que o sonho é real; essa é a definição de sonho. Do mesmo modo, lemos um romance supondo que ele é real – mas no fundo sabemos muito bem que não é assim. Esse paradoxo se deve à natureza do romance. […] a arte do romance conta com a nossa capacidade de acreditar ao mesmo tempo em estados contraditórios.”

Orhuan Pamuk – O romancista ingênuo e o sentimental

 

 

 

 

casmurro

Por que te afastas se me amas? Se amas, por favor, socorre ampara segura aguenta a teimosia, e a pessoa que se mostra

Aguenta a tempestade, … aguenta.

Ela também ama.

Casmurra aborrecida inquieta impaciente, fora da estação. Esquisita amorosa, tu sabes … Elizabeth M.B. Mattos – dezembro 2017

 

 

adjetivo substantivo masculino

  1. 1.

diz-se de ou indivíduo teimoso, obstinado, cabeçudo.

  1. 2.

diz-se de ou indivíduo fechado em si mesmo; ensimesmado, sorumbático.

demoro a voltar

Não gosto de ir/viajar/sair porque demoro para voltar, e voltar importa.  Estas raízes arrancadas replantadas regadas estão velhas, cansadas. A paciência do começo, e do recomeço. A espera do definitivo … Do suspiro agarrado grudado. Do finalmente! Não encontro o outro pedaço, aquela metade tranquila perdi, … em algum lugar esquecida, amordaçada, amarrada, enterrada. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017

namorado

O corpo passa a ser preocupação: penso no teu e no meu. Sim, tens que cuidar porque ele não é apenas teu, mas nosso, uma metade dele me pertence, …e sou eu no meu ir e vir. Sou eu neste vai e vem. Se não seguras forte na minha mão escorrego. Se me alegro ouso, se duvido fujo. Não domino nada. Sei do caminho que vai nos levar um ao outro… Vou na tua direção, mesmo hesitante. Como me inquieta e aflige não saber se és/estás ou vais estar ao meu lado… É preciso voltar serenar. Que o tempo corra a nosso favor, e que meus olhos, ao encontrar os teus olhos, bem… Que se faça o melhor. Sinto medo. Que eu possa entender e controlar o sentimento de susto. O enamoramento me atropela. Imatura apressada: por que te explico estas coisas todas? Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

 

saudade de ti

Saudade sinto de ti! […] raiva, desejo, e este gostar se mistura com fantasia. Desespero por este caminho descaminho, complicado, …e, sem volta. O sentimento se despedaça. Eu te disse: não sou romântica. Sou/estou enlouquecida com medo deste fio que se estica, por um fio… Só um fio, apenas um. E nunca és tu porque quem és é existe na minha imaginação. Este entende/sabe. Ninguém ninguém poderá te substituir, nem tu mesmo, sendo… Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres (te encontrar foi dádiva no meio despedaço de tanto desencontro)

tua liberdade escapou

… poema presente e expressiva imagem. Perfeita beleza, … eu me emociono. Entre flores de bronze expande-se uma rosa / trevoso mistério … Sigo a dizer que não mereço. Do teu mundo poeta/poesia nada sei. Que tempo terei? Perdoa, escorrego. Tu me fazes chorar, … como não sentir medo …, e se te esperei por tanto tempo … por que por que tão tarde!

– Tarde seria se não nos conhecêssemos …

Estamos sempre juntos e juntos, … mas quero tudo e mais, não entendo! …, tão livre tão apenas eu …  Fico atordoada sempre a me esquivar, não sei se sei, e fico a te pensar a te pensar e querer te ver/olhar … sinto teu cheiro.

– Tua liberdade escapou!

Escapou … estou presa … Estou presa… só penso em ti. (Chove faz sol chove outra vez … ) Sempre nós. Juntos.

– Sempre.

Não sei como conseguimos ficar tão perto …  Eu me assusto … sinto como se tu estivesses mesmo aqui comigo, ou eu aí contigo. Sempre nós. Juntos.

– Tu sabes que sempre estivemos perto. O olhar é que parecia estar em outra direção. Até que nós nos olhamos…

da despedida

Talvez fosse possível apagar. Começar sem passado. Podar galhos, flores. Sem tronco sem folhas, depois, apenas semente. Talvez não devesse espiar o antes. No entanto, lá está o corpo cheio de cicatrizes com um coração desencontro e encontro. Aberto este coração sangra sarando enquanto se agita.

Ultrapassa evidência. A vontade não domina, mas se submete. O que foi se alça, mesmo que seja, apenas tentativa. Vida ou suicídio. Amar é entender estes pedaços que se enrolam… Usar liberdade fantasiosa encardida enferrujada mentirosa, sem amarras. Despedida: viagem chegada, e encontro contigo comigo conosco . Depois de tanto depois… tantos anos!  Parece maravilhoso e fantasioso. O dia vai passando, nenhuma palavra, nenhuma voz até agora. Doído ansioso (05/04/2017 15:51), perigoso sentimento de abandono. Esta curva insegura me descontrola. Assim penso o teu eu aberto, e secreto. Para desconstruir desenho a despojada, qualquer lugar pode ser o lugar. Qualquer andrajo a roupa. Qualquer descaso pode ser ainda, sentimento. A entrega de reserva escancarada a recomeçar. Anseio: uma curva amorosa. Escondo medo pejo. Eu fui/estou/sinto/ penso felicidade. Acarinhada escandalosamente amada. Tão perto! Tão único! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

cogmelo na janela linda a foto

um lugar improvável, o amor

coisas da madrugada

O problema não é inventar. E ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente.

“A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco. ” O Outro  – Carlos Drummond de Andrade CORPO novos poemas – Record 1984

Por que? Por que nascemos para amar, se vamos morrer? Por que morrer, se amamos? Por que falta sentido ao sentido de viver, amar, morrer? C.D. de Andrade

Verdade. A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam. C. Drummond de Andrade

O poeta escreve o que importa. Pensa o que importa. Volto ao tema dolorida com o soco. Na madrugada costuro lembrança, abro a janela para respirar a noite, e na colcha, o bordado inacabado. Toda noite uma flor. Não resolvo nada, protelo mais um dia … É como estar no corredor da morte a esperar … Esperar pela inocência, ou um grito/ que anuncie: estás livre, livre, livre! Quando escrevo penso, e se penso volto antes de chegar ao portão. Preciso dar uns poucos passos para entrar no jardim das margaridas … Preciso terminar de colher as maçãs, e as ameixas. Protelo, invento, espero … Como se eu pudesse mesmo interromper a passagem/parar o tempo. E.M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

CDdeAndrade O CORPOCDdeANDRADE CORPO aberto com indicações