


Não irei viajar pela tua mão nem te seguir, não assim pendurada na pandorga. Eu te queria/ eu te quis escondido na caverna, e vieste. Se o mundo inteiro te chamava/atraía, sou/era eu teu singular, tua terra. Estupefatos! Espias velhos amores mais ou menos amados, e eu os amados mortos, despedaçados, mas paradoxalmente vivos. Vivos neste quintal transmutado, o laboratório. Vivos neste porão de memória, a tua e a minha. Rogéria nos cuida, e ficamos os dois escondidos.
Sou eu que tenho que contar esta história de amor descabido, estranho, e perdido tão logo achado como se fosse bruxa, feiticeira malvada. Tu me traíste com este franzido de nariz, este teu olho apertado e este sem jeito que tinhas para tudo que não fosse brilho. Aonde te escondes com esta vaidade palpitante e este poder partido majestoso. Telas aquarelas histórias de estórias misturadas. Aonde é este teu castelo sem gramado, sem guerreiros? Encontro bem a jeito de amantes que se amam sem pertencimento. Chocolate vinho uísque quiche maçã e o inusitado. Telefones tocando. Respiramos dissemos escrevemos gravamos e traçamos.
“Ainda não criei coragem para escrever o depoimento sobre a minha vida privada, mas já estruturei o esqueleto do texto, que será na primeira pessoa. E tu gostas, de usar o português lusitano: ‘estou a ler’. ”
Descalços voltamos a Torres e dançamos. Dançamos nas dunas. Sorrindo Ah!… estes dois meninos velhos. Elizabeth M. B. Mattos – Torres. 2017