Bolinhos de arroz, loucura domingueira. Se confesso odiar a cozinha lá estou: com fritura até na alma, e o cheiro! Enjoada. De certo mereço. Tenho que tirar os vestígios! Loucura completa. É suicida esta alimentação. Nem a Ônix consegue me impedir… Ímpetos! Bem, ainda dia! De noite aos pesadelos adequados… Mereço!Beth Mattos no final de julho, divagando! Céus! Ainda está frio. Que chegue o sol! 2019
-“Não posso, não quero! Digo definitivo! Sou de ser e executar, não me ajusto de produzir ordens…”
As coisas acontecem tão do mesmo jeito, mas palavra gesto, não sei!!! O mundo não vai nem vem, se fecha e se abre igual. Impotente gotejando resvalando, em frente, mas o mesmo. Se assumo crescer, eu vou não sendo, mas acaba sendo o mesmo… Estas leituras dizem de forma nova inovando o sentimento no expressar, mas tão igual! O mesmo / o igual se remexe poderoso dentro de outra palavra, exala e repete, o novo no mesmo.Beth Mattos
“Como é que pode gostar do verdadeiro, no falso? Amizade com ilusão de desilusão. Vida muito esponjosa. Eu passava fácil, mas tinha sonhos, que me afatigavam. Dos que a gente acorda devagar. O amor? Pássaro que põe ovos de ferro. Pior foi quando peguei a levar cruas minhas noites, som poder sono.” (p.93)
” Eu abaixava os olhos, para não reter os horizontes, que trancados não alteravam, circunstavam.” (p.81) Achei tão lindo este dizer! Não reter os horizonte, não imaginar que pode terminar ou ter fim / sendo horizonte estão fixos e permanecem infindáveis.
“A tarde foi escurecendo. Ao menos Diadorim me chamou adeparte; ele tramava as lágrimas. – Amizade, Riobaldo, que eu imaginei em você esse prazo inteiro… – e apartou minha mãe. Avesso fiquei, sem jeito. […]
Ele só falava por pedacinho de palavras, Mas eu vi que o olhar dele esbarrava em mim, e me encolhia,”
e tudo é João Guimarães Rosa num lapidar numa soltice/ leveza / beleza criadora e genial que carrega o sertão por dentro e materializa em palavras.
O que é dito revira, o que se pensa e diz, dá volta de falar como se fala no sertão. Na palavra o gosto. Eu volto.
“Que mesmo, no fim de tanta exaltação, meu amor inchou, de empapar todas as folhagens, e eu ambicionando de pegar Diadorim, carregar Diadorim nos meus braços, beijar, as muitas demais vezes, sempre.” (p.67)
Há que se entregar no prazer, nas voltas reviradas de pensar, neste ir e ficar e deixar passar sem ver, enxergar o detalhe a minúcia e a tristeza de ser tudo igual, solidão. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres Ana Maria em Recife
tão de perto
Tenho que me esconder do sono, não sei bem como arei isso, ele me persegue tão de perto! Se eu tivesse certeza dele ser mesmo ele, o sono! Mas não tenho… Ansiedade e inquietude também me assombram, e me perseguem. Medo, desejo, uma paralisação! Tantos sustos! Bom este hoje se agitou com roupa lavada, passada, sol e beleza e agora este vento gelado cinzento! Tudo muda tão rápido! Elizabeth M.B. Mattos – julho -Torres
insônia passiva
Improdutiva insônia. Tão quieta! Tão aborrecida e lenta! Não sei… Deve ter um atalho para chegar ao proveito. Alteratividade – curiosa palavra me assalta -, depois eu volto. Rezas / pedidos não sacodem as folhas destas árvores, não trazem flores. Há que acalmar a inquietude do coração varrendo, aspirando, limpando aqui e ali. E sinto o perfume. Sou toda odores e toque e silêncio. Cansei de não dizer, voltear, espreguiçar tão devagar que não é nada, mas sono continuado em preguiça permanente. Este dormir e dormir se estranha artificial. Houve tempo que a noite era dia igual, e os fazeres alegravam nas lajotas vermelhas. Eu me debruço na sacada. O cheiro da maresia entra e o poder de sentir / alegrar / fazer/ destemer / enfrentar traz prazer poderoso, derruba qualquer maquiavélica insônia. Estou em casa / em casa significava com o pai e a mãe, escuto a conversa cruzada, deles os dois. Acompanho manhãs altivas com caminhada. Leio nos jornais a informação precisa do meu pai. A mãe compensa noites alertas e iluminadas com o sono matinal! Depois a sesta de um, e o dia discursante, criativo de outro. Conversa instigante.
A noite, velas lamparinas, cúpulas iluminadas, e o perfume do café. Luz indireta da intimidade confessional. Eu me delicio com a beleza de detalhes inventivos: decoração a cantar e se fazer com pincéis de aquarelas e o perfume dos óleos em telas esticadas. Ainda estão vivos! Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2019 – Torres
pensar, escrever
Escapa no minuto o pensamento, escorrega, não consigo segurar. Prender / fazer ser meu. Esta coisa de ler alucina, tira do caminho o fácil e o difícil, viver. Arranca a pessoa da vida da voz do convívio dos pequenos prazeres do acaso. Estás / ficas perdida onde ninguém te encontra, aliás, ninguém quer mesmo te ver ou falar: estás fora / distante, noutro lugar…, nunca o certo, o bom, ao sol, sempre no meio da chuva. Então estas leituras esquisitas, perdidas voam. Recomendar livros parece a maior loucura das loucuras, antes os filmes, antes a cor, antes a troca. Esquisito vazio! E o prazer do riso, da voz (eu insisto) do com/ junto/ perto se esfacela… Vontade de mudar, mas ser outra por quê? As crianças, os filhos, os amigos: preciso correr para encontrar. Estamos as duas, ônix e eu sem calçada porque chove, e frio voltou. Foi tão bom ser inverno! Agora me parece tão escuro invernar. Amanhã vou limpar a casa, polir e comprar flores. A cada dia uma volta. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres

o outro lado…
Livros traduções, autores se cruzam conversam! Textos / um dentro do outro fascinam. Repetidos encontros, os mesmos e diferentes, como no amor e na paixão. Diferente! E tão igual, tudo sensualidade sexo e encantamento. Começou a chuva prometida, forte grossa e cinzenta, ficou noite dentro da tarde. E. M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres
“O mundo dos vivos já contém suficientes maravilha e mistérios sendo como é; maravilhas e mistérios agindo sobre nossas emoções e inteligência de modos tão inexplicáveis que quase justificariam a concepção da vida como um estado de encantamento.”(p.5) Joseph Conrad – A Linha de Sombra: uma confissão – [tradução de Maria Antônia Van Acker]
” Conrad não conhecera, em suas viagens, Montevidéu, mas, para desmentir a possibilidade de uma chave fantástica em seu relato, afirmava: ‘O mundo dos vivos encerra por si só muitas maravilhas e mistérios sendo como é; maravilhas e mistérios obram sobre nossas emoções e inteligência, que isso bastaria para justificar que possa conceber – se a vida como um sortilégio.'”(p.34) Carlos María Domínguez – A Casa de Papel – tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro

comer sua alma
Manuscritos se escondem na alma, a delicadeza do livro, do impresso acontece por cooperação e generosidade externa, um alguém na outra ponta: a vivência, a coleta se aquece na alma amiga. Rouba – se o amor, o desejo, como aquela flor roubada, o amigo, o pensamento, mas ninguém arranca a memória: o apartamento vazio, a varanda, a sala sem absolutamente nada, a imensa e generosa cozinha, completa, e no quarto, a nossa cama, e o desejo despido entregue a navegar, a nossa juventude. Beth Mattos – E.M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres
“O que me interessa é o momento em que você decidiu matar – me também na sua cabeça. Por certo, deve ter havido um dia no qual você disse a si mesmo: a guerra acabou, o tempo de proibição à caça se foi. e agora eu posso, como naquele ritual de sacrifícios a que assistimos comer sua alma e publicar seu manuscrito com meu nome.” (p.109)
PS2
” Em minha vida maluca, cheia de aventuras, banal, sempre faltou – me tempo. Tempo para o amor, tempo para a reflexão, tempo para o repouso, tempo para não fazer coisa alguma. Tempo para mim. Temo que seja você o ladrão desse tempo que sempre me faltou.” (p.115) Michael Krüger A ÚLTIMA PÁGINA
“ouve e não responde”
TORRES, 22 de fevereiro de 2018 parece ser uma boa data. Ouve, não responde. Urgente! Palavras, sussurro de desejo. Dizer explicar e se revelar. Centro de Terapia Intensa, oito dias, a fibrilação parou. Interrompe o pânico! Não entendo nada de coração. O meu vai parar e pronto. Espero não sentir medo, vou sentir, e não vais estar ao meu lado. Cirurgia de sucesso, ou… Não sei. Invento tudo, mesmo o pânico, a doença, o delírio. Um susto: o grito, o corte, a cicatriz. Qualquer hospital: o exame, o sangue, o medo e o pânico: fibrilação. Claro que estou errada: o coração cansa, pede socorro, e se agita. Ou adoece devagar. Não sei mais, num ano a memória, a danada lembrança se espicaça. Desgastada apaziguada ou do mesmo jeito, inquieta, espera. Ela te espera triste. Dias inteiros, completos, cheios, quase semana e a obsessão de te pensar ou te querer se despede, parece… Foi. Não penso, apenas volta a entristecer, então não saiu / não terminei de pensar o impossível. Deveria ter saído…
Não consegui/ não consigo chegar / alcançar o extraordinário, sigo escondida em / na famigerada humildade franciscana católica que não sou eu, nem monja nem crente, nem artista, nem pianista ou… Depois de setenta anos ainda não sei. Setenta e três, que sejam setenta e cinco, com margem. Talvez eu descubra. Não tenho os anos necessários de terapia, deveria ter. Droga! Tudo fraccionado. O que eu desejo? Que releias, que me tenhas inteira, que me olhes e me vejas agora, talvez agora velhice e exaustão voltam a fazer sentido. A dose, toda energia de “ouve e não responde”, desabe na mulher e no desejo de obedecer. Sim, eu faria / farei (se possível for) o possível e o impossível. Atravesso o envelhecer e a exaustão para ser quem desejas que eu seja. Voltarei a cozinhar a limpar e a passar roupa, e a fazer amor repetidas vezes porque assim o desejas. Voltarei a beleza, ao cuidado, ao perfume, as meias de seda, aos saltos altos, ao mar, ao biquíni preto, aos olhos velados e a dançar sorrindo, apenas para teus olhos. Serei mulher no sentido completo do possível, o meu. Ah! Saíste a discursar no arrazoado e intenso desejo, em tempo, de me estender a mão, ou me fazer ouvir, mostrar o caminho e me fazer conduzir, a mim mesma inteira, possuída alegre e feliz para teu gozo. Tu não me vias feliz, e eu te confesso, não sou feliz, eu tento ser ou parecer. Eu faço de conta. Escavo na alegria natural de aceitar, e polemizo para crucificar. Preciso de outra vida. Ou outras muitas vidas para chegar perto de ti, agarrar tua mão e ser bonita aos teus olhos. Inteira. Irrito, eu sei. Não ouço. Não escuto, não me faço entender. Tu me fizeste parar. Tu me agarraste com os olhos. Hoje, agora, terminou. Terminou o prazo de esperar. Humanizada, posso chorar. Tão bom disparar as teclas, escrever e chorar diante de nós dois que nunca nos veremos, nunca nos teremos, nunca nos tocaremos! Eu sinto o que dizes, acordo de tanto sentir / escutar tua voz a me dizeres: “generosa, inteligente, charmosa e fêmea -, com alma. ” Anotei / reescrevi estupefata. Talvez…, como vou saber se nunca presto atenção e não sinto a vida, vou pelas beiradas, assustada. Não finalizo, não sou eu, não era eu, eu te espero, outra andava distraída. Desde o primeiro baile. Do começo do violão e do piano, ou dançar, ou escrever, fazer televisão, entender de pintura ou de livros, ou da culinária, eu estava a te esperar. E nunca fui a Aspen esquiar, fiquei em casa estudando francês: a vida limita sonhos. Todos foram, eu tinha as crianças, eu não ousaria desafiar nem pai nem mãe.
Talvez tivesse aprendido a desafiar tudo e todos se soubesse que me espiavas… Mas eu me vestia apressada para trabalhar/sair e viver. Para acordar, para correr, para fazer o que precisava ser feito. E tu me espiavas… Eu não sabia.
Há que existir forma/jeito/ maneira para cumprir/ fazer acontecer o desejo. Estarei nua, serei sensualidade e desejo: o teu e o meu desejo ao sol. Ou estarei vestida, atrás / dentro dos vestidos sobrepostos. Das saias, das golas, dos cabelos na desordem certa de agradar. Na tua imaginação entregue, e na fantasia completa com teu despudorado dizer, a minha voz alegre entregue. Quando dizes: “ouve e não responde”, permaneço prisioneira. Eu obedeço. Dependo ansiosa do teu comando. Ansiosa. Intoxicada pelo desejo. Afeto e respeito e sedução, como dizes. Usas a palavra afeto. Tudo picado e avolumado, presente. Quando te vestes eu te espio, eu me invento enfiada nos travesseiros. E tu sais depois de um beijo apressado. Tudo inventado, mesmo o sono que não sinto, tudo para te segurar, sem choramingar, mas vais saindo apressado, sempre apressado para fazer acreditar que não me queres tanto assim, inventas, tu seduzes e segues. Estou a ousar de dentro da timidez: olhos abertos. Com certeza eu te observo com desejo. Arredia, mas cederia generosa ao teu beijo demorado. E tua palavra me acende com fogo: Tu és mais do que admites ser, por ser mais, te escondes. Vou trocar “velhice e exaustão ” por feminilidade e sedução e sexualidade. Por que não posso te ver / por que não nos encontramos, eu sigo a me perguntar sedenta. Por que não falas comigo, e te deixas enfeitiçar pela vida a correr e a correr… Não te esconde. Eu ainda posso te fazer sonhar e te amar tranquila, quieta neste entardece, amanhecer. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres
“ouve e não responde”; por que não obedeci?
espiar
Espiar, olhadinha, ousar deixar ficar pode ser… não sei. Estou travada, Endurecida, susceptível, desanimada, sem encanto, sem voz. Há de passar. Espero. que o peso do dia da noite não me faça desaparecer.
Ainda não fui ao correio embora teu livro esteja na cabeceira da minha cama empacotado.Uma desculpa: ser lenta. Será que vais gostar da singela leitura… Não gosto de recomendar livros, e mesmo ainda de presentear. Repenso. Espero um gesto, uma voz. Uma flor, um ramo de jasmins…
“Nós, leitores, espiamos a biblioteca dos amigos, mesmo que seja só como distração. Às vezes para descobrir um livro que queríamos ler e não temos, outras saber de que se alimentou o animal que está à nossa frente. Deixamos um colega sentado na sala e na volta o encontramos invariavelmente de pé, fuçando nossos livros.
Mas chega um momento em que os volumes cruzam uma fronteira invisíbil que se impõe por seu número, e o velho orgulho se transforma numa carga fatigante, porque o espaço será sempre um problema. Preocupa – me com o lugar onde colocar uma nova estante quando chegou às minhas mãos o exemplas de A Linha de Sombra, que volta, desde então, sob a forma de uma perpétua advertência.” (p.21) Carlos María Domínguez – A casa de Papel
Nós posso definir onde começa nem onde termina a relação que estabeleço com uma pessoa (qual o meu limite / onde a vontade dela : será indiferença / qual sentimento / sentido? A linha de sombra delimita, O que preciso para avançar / atravessar o que nos separa? Ou isso ou aquilo? Quando? Quando será possível, ou fácil? Ou nos perderemos um do outro definitivamente? É preciso chegar. Não sei. Estou impotente, azeda e presa, enraizada. A leitura das revistas, A saudade de mim mesma, o tamanho deste poço em que me enfiei. Ainda não encontrei água, Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres
“Para o coração a vida é simples: ele bate enquanto puder.”
Tentar escrever. Escrever tentando encontrar. Se retomo autores, releio a menina, a jovem, ou passado, não sou mais eu! Que vontade tenho de voltar… Confesso, não sei se iria para a Noruega, ou para a França, quem sabe a Suíssa, ou a Suécia, ou apenas voltar para o começo, e recomeçar, ainda na rua Vitor Hugo. Em Petrópolis. Em casa. Choramingo. Karl Ove Knausgard:
“Escrever é mais destruir do que criar. Rimbaud sabia disso melhor do que ninguém. Digno de nota não é ele tenha chegado tão inacreditavelmente jovem a esse insight, mas que tenha aplicado isso em sua própria vida. Para Rimbaud tudo dizia respeito à liberdade, tanto na escrita quanto na vida, e só porque a liberdade tinha um papel dominante que ele podia deixar a escrita em segundo plano, ou até tivesse que deixar a escrita em segundo plano, pois ela também se tornou para ele um limite que deveria ser destruído. Liberdade é igual a destruição mais movimento. Outro escritor que percebeu isso foi Aksel Sandemose. Sua tragédia foi ter conseguido alcançar esse objetivo somente na literatura, e não na vida. Destruiu, e permaneceu no meio de ruínas. Rimbaud foi para a África” (p.182) Karl Ove Knausgard Minha Luta 1 A morte do pai – Tradução do norueguês Leonardo Pinto Silva
“Para o coração a vida é simples: ele bate enquanto puder.”(p.7)
Torres, 2 de junho de 2016. Ancorada em leituras, notas, escritos, e firme na minha jornada à caça de liberdade, e manhãs ensoladas e aconchego de velhas histórias inacabadas. Todas, de certa forma, intensas e transbordo em cartas / memória e passado/presente. A descoberta:
“Nosso mundo está encerrado em si mesmo, encerrado em nós, e não há mais como escapar dele. Quem nessas circunstâncias clama por mais interioridade, mais espiritalidade, não entendeu nada, pois aí é que está o problema, o espírito tomou conta de tudo. Tudo se tornou espírito, até mesmo nosso corpo não é mais corpo, mas ideia de corpo, algo que se encontra no paraíso de imagens e representações dentro de nós e sobre nós, onde uma parte cada vez maior de nossa vida é vivida. As fronteiras daquilo que não nos diz nada, o impenetrável, foi eliminadas. Compreendemos todas as coisas, e isso porque fazemos tudo em proveito de nós mesmos.” (p.207)
Enquanto escrevo redesenho colorido aquele primitivo rabisco feito, e defeito, num caderno depois do outro, incansável. O mesmo. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres
Sim, a nossa conexão não se explica, nem se confirma, muito menos se contempla. Estou debruçada em janelas laterais e as vozes soam na calçada misturadas com outras vozes. Por nós eu moraria no campo, por nós eu moraria na serra, por nós eu moraria na praia, ou ficaria pelas calçadas. Mas não existe nós… Então, eu tomo sucos. Como pastéis, e te conto novas histórias. A cada noite eu volto a te explicar como foi errar, e recomeçar, e tu me abraças, e nem te dás conta que o meu pescoço com tantas pérolas esconde pele enrugada, e brinca de ser rainha… Elizabeth M. B. Mattos / Torres
